—Tem uma palavra escrita dentro? A mulher apenas levantou o olhar da sua taça de vinho tinto. O restaurante estava repleto de conversas elegantes, risadas contidas e o suave som de um piano que flutuava na atmosfera. Era um dos lugares mais exclusivos da cidade, um local onde os clientes chegavam em carros de luxo e onde uma menina vendendo rosas parecia pertencer a um mundo diferente. Contudo, algo nos olhos daquela pequena a fez hesitar. —Que palavra? —perguntou com um sorriso gentil. A menina observou atentamente o anel dourado em forma de rosa que enfeitava seu dedo. O rubi vermelho no centro brilhava sob as luzes quentes do restaurante. Em seguida, respondeu com total naturalidade. —Rosewood. A taça parou no ar. O coração da mulher disparou brutalmente em seu peito. Por um breve momento, o barulho do restaurante desapareceu completamente. Já não ouviu o piano. Nem as conversas. Nem o tilintar das taças. Apenas aquela palavra ecoava em sua mente: Rosewood. Dezessete anos atrás, esse nome havia se extinguido de sua vida junto com uma pessoa que ela amava mais que tudo. Não era uma marca. Não era uma joalheria. Não era uma expressão conhecida por todos. Era uma inscrição secreta gravada no interior do anel. Um detalhe familiar que apenas duas pessoas conheciam. Ela. E sua irmã desaparecida. Sentiu a garganta se fechar. Milhares de recordações irromperam de uma só vez. As buscas intermináveis. Os detetives particulares. As ligações para hospitais. Os anúncios publicados durante anos. As pistas falsas. As noites chorando diante de fotografias antigas, perguntando-se se sua irmã ainda estava viva em algum lugar. Com a voz trêmula, inclinou-se em direção à menina. —Onde está sua mãe? A menina piscou, surpresa com a mudança repentina de tom. —No hospital. Essas três palavras foram suficientes para encher os olhos da mulher de lágrimas. —O que aconteceu? —Está doente. Muito doente. Pediu para que eu vendesse rosas esta noite para ajudar a pagar algumas medicações. A pequena olhou para a cesta quase vazia que segurava. A mulher sentiu algo se romper dentro dela. Durante dezessete anos, procurou respostas. Agora, uma menina desconhecida havia surgido com a única chave capaz de abrir todas as portas do passado. —Qual é seu nome? —perguntou com dificuldade. A menina abriu a boca para responder. Mas naquele momento, algo estranho ocorreu. O barulho agudo de uma cadeira arrastando-se pelo chão cortou o ambiente do restaurante. Muitas pessoas giraram a cabeça. Um homem de uma mesa próxima havia se levantado. Rápido demais. Nervoso demais. Seu rosto estava pálido. Seus olhos estavam grudados na menina. E quando ela o viu, todo o sangue desapareceu de seu rosto. A mulher percebeu que os dedos da pequena começaram a tremer em torno da cesta de rosas. Aquilo não era desconforto. Não era vergonha. Era medo. Um medo profundo. Instintivo. Como o de alguém que já havia aprendido a reconhecer o perigo. —Eu preciso ir… —sussurrou a menina. —Espera… por favor… Mas ela já estava retrocedendo. Um passo. Depois outro. Seus olhos fixos no homem. Finalmente, deu as costas e saiu correndo em direção à porta principal do restaurante. O desconhecido reagiu imediatamente. Sem olhar para a mulher, começou a segui-la. Algo dentro dela gritou que aquilo estava errado. Muito errado. Levantou-se de repente. Então, aconteceu o que a convenceu. Enquanto o homem caminhava apressadamente para a saída, uma fotografia espreitava parcialmente de seu bolso interno. Foi visível por apenas um segundo. Um único segundo. Mas foi suficiente. Porque a mulher da fotografia tinha o mesmo rosto que ela havia visto em suas memórias durante dezessete anos. O mesmo cabelo escuro. O mesmo sorriso. Os mesmos olhos. Era sua irmã. A mulher sentiu suas pernas quase cederem. Não poderia ser uma coincidência. Não depois de tantos anos. Não depois de ouvir o nome Rosewood. Não depois de ver aquela fotografia. Correu em direção à saída. A chuva atingiu seu rosto assim que saiu para a rua. As luzes dos carros refletiam em faíscas sobre o pavimento molhado. Ao longe, viu a menina correr entre a multidão. E atrás dela, o homem. A pequena parecia desesperada. Olhava constantemente para trás. Como alguém que havia passado tempo demais fugindo. A mulher entrou rapidamente em seu carro. Manteve uma certa distância enquanto os seguia por várias ruas. Por fim, observou a menina entrar em um velho hospital público. O homem parou do outro lado da rua. Ficou olhando a entrada por alguns segundos. Depois pegou o telefone. Falou com alguém. Sua expressão tornou-se sombria. E finalmente se foi. A mulher esperou alguns minutos antes de entrar. O edifício era antigo. Frio. As paredes precisavam de pintura. As luzes piscavam em alguns corredores. Encontrou a menina sentada em frente a uma sala no terceiro andar. Já não tinha o sorriso gentil da vendedora de rosas. Parecia apenas uma menina exausta. Uma menina que carregava um peso demais sobre os ombros. —Não queria te assustar —disse a mulher suavemente. A pequena levantou os olhos. —Por que me seguiu? —Porque preciso conhecer sua mãe. A menina hesitou por vários segundos. Então apontou para a porta da sala. A mulher respirou fundo e entrou. E nesse instante, o mundo deixou de existir. A paciente deitada na cama estava extremamente magra. Seu cabelo tinha algumas mechas grisalhas. A doença havia deixado marcas evidentes em seu rosto. Mas, ainda assim… a reconheceu imediatamente. As lágrimas começaram a escorrer antes que pudesse dizer uma única palavra. —Meu Deus… A mulher na cama abriu lentamente os olhos. E ao vê-la, também começou a chorar. —Vitória… A voz saiu mal como um sussurro. Vitória caiu de joelhos ao lado da cama. —Elena… Dezessete anos. Dezessete anos acreditando que estava morta. Dezessete anos a procurando. Dezessete anos se perguntando se voltaria a vê-la algum dia. As duas irmãs se abraçaram em meio a lágrimas, enquanto a menina observava sem compreender completamente o que estava acontecendo. Mas a verdade mais dolorosa ainda estava por vir. Porque enquanto Vitória segurava a mão de Elena, sua irmã reuniu forças e pronunciou algumas palavras que fizeram o medo retornar imediatamente ao ambiente. —Vitória… o homem que você viu esta noite… não vai parar. Seus olhos se encheram de terror. —Porque foi ele quem destruiu minha vida… e agora sabe que finalmente me encontraste…
O Nome Oculto no Anel
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