“Pai… a Beatriz me deu isto.”
A filha mal conseguia falar entre lágrimas.
Ele se ajoelhou ao seu lado, vestido de fato, e pegou o bilhete amassado.
“O que aconteceu?”
Ela balançou a cabeça.
“Só leia.”
Ele desdobrou o papel.
Sua expressão mudou quase que instantaneamente.
Então, as portas da igreja se abriram.
Beatriz saiu, deslumbrante em seu vestido de noiva, sorrindo.
Ela notou o bilhete na mão dele.
Seu sorriso foi gradualmente sumindo.
“O que há de errado?”
Ele não respondeu.
Olhou para a filha.
Depois, de volta para a mulher com quem estava prestes a se casar.
“Você escreveu isso?”
O rosto de Beatriz empalideceu.
A filha agarrou a manga dele.
“Ela me disse para não te mostrar até hoje.”
Ele olhou novamente para o bilhete.
Uma frase se destacava.
Depois do casamento, seu pai não vai precisar mais de você.
A mandíbula dele se cerrou.
Beatriz sussurrou,
“Eu posso explicar.”
A filha começou a chorar mais forte.
“Tem mais, pai.”
Ela alcançou sua pequena bolsa branca.
E puxou uma fotografia.
O noivo a encarou.
Beatriz, então, deu um passo à frente.
“Me dá isso.”
Ele afastou a imagem.
Porque a mulher ao lado de Beatriz na fotografia…
era a mãe falecida da filha.
O noivo olhou fixamente para Beatriz.
“Você me disse que nunca a conheceu.”
Os olhos de Beatriz se encheram.
“Eu não a conhecia… não de verdade.”
Ele virou a fotografia.
Havia uma anotação na parte de trás.
A letra da sua falecida esposa.
Se algo acontecer comigo, não deixe a Beatriz perto da minha filha.
As mãos dele começaram a tremer.
Beatriz sussurrou,
“Não é o que você está pensando.”
A filha se pressionou contra ele.
“Pai, ela tinha mais fotos.”
Ele olhou para Beatriz.
“Há quanto tempo você conhece minha esposa?”
Beatriz não respondeu.
Aquele silêncio foi suficiente.
Ele se aproximou.
“Há quanto tempo?”
“Desde a faculdade.”
O rosto dele desmoronou.
“Vocês eram amigas?”
Beatriz balançou a cabeça.
“Não.”
“Então, o que?”
A voz dela quebrou.
“Ela sabia algo sobre mim.”
“O que?”
Beatriz olhou para a menina.
O noivo imediatamente se colocou na frente da filha.
“Não olhe para ela. Olhe para mim.”
Beatriz começou a chorar.
“Sua esposa descobriu que eu usava outro nome.”
Ele a encarou.
“Qual nome?”
Ela engoliu em seco.
Então, a filha puxou um último papel dobrado de sua bolsa.
“Eu encontrei isso com as fotos.”
O noivo abriu.
Uma certidão de nascimento.
A fotografia de Beatriz estava anexada.
Mas o sobrenome não era o dela.
Era o da sua falecida esposa.
Ele lentamente levantou os olhos.
Beatriz sussurrou,
“Ela não era apenas sua esposa.”
A voz dele suavizou.
“O que você está dizendo?”
Beatriz olhou para a menina.
Depois, de volta para ele.
“Ela era minha—.”