Marido me gritou ao telefone: ‘Pegue a criança e fuja agora!’ — Dez minutos depois, a casa estava cercada pela polícia

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O meu marido ligou-me de repente e perguntou, sem rodeios:
“Onde estás agora?”

Eu estava em casa da minha irmã, num bairro tranquilo de Lisboa, a celebrar o aniversário da minha sobrinha. A sala estava cheia, havia risos, balões e o cheiro do bolo acabado de cortar.
“Na casa da minha irmã,” respondi. “Está toda a família aqui.”

Do outro lado da linha, caiu um silêncio pesado, estranho, como se o ar tivesse ficado preso.

Depois, ele falou, com uma voz que eu não reconheci:
“Ouve-me com atenção. Agarrou a nossa filha e sai dessa casa agora mesmo.”

Soltei uma risada nervosa, daquelas que saem quando algo não faz sentido.
“O quê? Porquê?”

Ele gritou, já sem conseguir conter-se:
“Faz isso agora! Não perguntes nada!”

Aquela não era a voz dele. Não era coragem. Era puro medo, medo real.

Peguei na minha filha e comecei a dirigir-me para a saída. O meu coração batia tão forte que parecia que todos ouviam. O que aconteceu a seguir foi aterrador.

A voz do meu marido já não parecia dele.
Estava tensa. Controlada à força. Aterrorizada.

“Onde estás exatamente?” perguntou.

Olhei em volta da sala da minha irmã Mafalda. Balões cor-de-rosa flutuavam perto do teto. A minha sobrinha Beatriz estava a abrir os presentes sentada no chão, enquanto as tias e os tios riam e filmavam com os telemóveis, dizendo que o vídeo ia direto para o grupo da família.

—Em casa da minha irmã— repeti. É o aniversário da Beatriz. Está toda a família aqui.

Silêncio.
Demasiado longo.

“Ouve-me bem,” disse ele, por fim. “Leva a Sofia e sai dessa casa. Agora.”

Senti um nó no estômago que me tirou o fôlego.
“O que se passa, Rui?”

“Faz o que eu digo,” ordenou. “Não perguntes. Apenas sai.”

O Rui nunca levantava a voz. Nunca entrava em pânico. Estávamos casados há oito anos, e era a primeira vez que eu ouvia terror genuíno nele, um terror que não podia ser fingido.

—Rui…

“Inês!” gritou. “Não tenho tempo. Agarrou a nossa filha e sai imediatamente.”

Não discuti.
Não consegui.

Caminhei rapidamente pela sala, forcei um sorriso que me doía no rosto e peguei na Sofia, que tinha seis anos.

“Vamos à casa de banho,” disse à Mafalda, tentando soar normal.

Ela acenou, distraída, ocupada a arrumar os pratos descartáveis.

Mas, em vez de ir para o corredor, dirigi-me direto à porta da frente.

“Mamã?” sussurrou a Sofia, apertando o seu rostinho contra o meu pescoço. “O que se passa?”

“Nada, amor,” disse, com as mãos a tremer enquanto abria a porta. “Vamos dar um passeio.”

Assim que atravessámos a soleira, ouvi-as.

Sirenes.

Não uma ou duas.
Muitas.
Demasiadas.

Soavam distantes, mas a cada segundo aproximavam-se mais. Fiquei parada na varanda, a sentir o medo a subir-me dos pés.

“Mãe…” A Sofia agarrou-se com força ao meu pescoço.

Depois, vi-os. Jipes pretos sem matrícula desciam a rua em alta velocidade, vindos dos dois lados. Carros da polícia vinham atrás, as luzes vermelhas e azuis a iluminar tudo como se fosse de dia. Vizinhos saíam das casas, de pijama, a apontar, completamente confusos.

O telemóvel vibrou outra vez. Rui.

“Já saíste?” perguntou, com uma urgência que me gelou o sangue.

“Sim,” murmurei. “O que se passa?”

—Entra no carro. Tranca-te. Afasta-te da casa. Não pares por nada, ouviste?

Corri.

Coloquei a Sofia na cadeirinha, a lutar com o cinto porque as minhas mãos não me obedeciam. Ao ligar o carro, olhei pelo retrovisor.

A polígia cercava a casa da minha irmã. Agentes armados saíram das viaturas, a gritar ordens, a apontar as armas para a entrada.

Depois, vi algo que me gelou o sangue.

Não estavam à procura de uma pessoa.

Estavam à procura de algo dentro da casa…

O que descobri a seguir mudou a minha vida para sempre… Parte 2.

Naquele momento, percebi que não era uma operação qualquer…

E a pior parte?
O Rui sabia antes de toda a gente.

O SEGREDO QUE O RUI ESCONDEU DE MIM

Conduzi sem rumo até os meus dedos ficarem dormentes de tanto apertar o volante. A Sofia ficou em silêncio no banco de trás, sentindo o meu medo mesmo sem o entender. Estacionei num parque de estacionamento vazio de um supermercado e atendi novamente.

“Conta-me tudo,” exigi, com a voz a falhar.

Ele suspirou profundamente.
“Nunca quis que descobrisses assim.”

—Descobrir o quê?

“Trabalho para uma empresa privada de cibersegurança contratada pelo Ministério Público,” confessou. “Analiso crimes financeiros: branqueamento de capitais, empresas-fantasma, transferências ilegais.”

Fiquei a olhar para o painel, como se não conseguisse focar os olhos.
—Sempre disseste que trabalhavas em sistemas.

“Não te menti,” respondeu. “Apenas não te contei toda a verdade.”

—Então… porque é que a polígia estava na casa da minha irmã?

“Porque há três semanas detetámos uma transferência ilegal enorme,” disse. “Milhões de euros movimentados através de fundações falsas. Tudo levava a um único endereço residencial.”

Engoli em seco.
“De quem?”

Houve uma pausa longa, pesada.

—Da tua irmã.

Senti que não conseguia respirar.
—Isso é impossível. A Mafalda é enfermeira.

“É por isso mesmo que funcionou,” explicou. “Usaram o nome e morada dela sem ela saber. Alguém próximo estava a usar a rede dela e a caixa do correio para movimentar o dinheiro.”

A minha mente começou a juntar as peças.
—O marido dela?

—Sim —confirmou o Rui—. O Nuno.

Pensei nos sorrisos forçados do Nuno. Nos relógios caros. Naqueles “trabalhos de consultoria” que nunca conseguia explicar direito.

“Descobri ontem à noite,” continuou. “O Nuno não estava só a branquear dinheiro. Está ligado a um grupo criminoso sob investigação federal. Tráfico de armas. O dinheiro era o menos grave.”

Senti um enjoo.
—Então porque é que fez a festa?

“Foi aí que entrei em pânico,” admitiu. “O Nuno não sabia que a operação era hoje, mas sabia que a rede estava a fechar-se. Quando me disseste que estavas lá com a Sofia… percebi que podiam usar-vos como reféns.”

O meu coração acelerou.
—A polígia…?

“Antecipámos a operação,” respondeu. “Porque eu ativei um alerta de emergência.”

Dei-me por sentada contra o banco.
—Salvaste-nos.

“Não,” disse baixinho. “Coloquei-vos em perigo por não te contar a verdade mais cedo.”

Naquela noite, a Mafalda ligou-me a chorar. O Nuno tinha sido preso à frente de toda a gente. Encontraram armas escondidas no porão. Dinheiro dentro das paredes.E, enquanto abraçava a Sofia com mais força, percebi que a vida nunca mais seria simples, mas pelo menos estávamos juntos e seguros.

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