**Diário Pessoal**
Hoje foi um dia que mudou tudo. O elevador subia rápido pelo prédio de vidro que refletia o céu azul de Lisboa. Segurei contra o peito a pasta com o meu currículo, lembrando os conselhos que a minha mãe me dera pela manhã. Nunca estive tão nervosa. Este emprego era a minha chance. “35º andar. Pereira & Associados”, anunciou a voz metálica do elevador.
Respirei fundo, alisei a minha saia preta—a única formal que tinha—e caminhei com determinação até à receção. Os meus saltos ecoaram no chão de mármole enquanto observava o luxo discreto do escritório mais prestigiado da cidade. “Bom dia, sou Inês Ramos, a nova secretária do Dr. Pereira”, disse, fingindo uma confiança que não sentia.
A rececionista, uma mulher de meia-idade com um coque impecável, olhou-me por cima dos óculos. “Chegou mesmo à hora. O Dr. detesta atrasos. A Carla vai explicar suas funções.”
Seguir a Carla, uma senhora de rosto gentil mas olhos astutos, por corredores onde advogados de fato caro discutiam casos milionários em voz baixa. Era um mundo distante do meu, onde todos os meses eram uma batalha para pagar os remédios da minha mãe.
“O Dr. Pereira é exigente”, avisou-me a Carla, mostrando-me a minha mesa. “Pontualidade, organização e discrição absoluta. E nunca o interrompa durante uma chamada importante.” Anuí, memorizando cada palavra.
“Quando vou conhecê-lo?”
“Agora mesmo. Ele espera para dar as primeiras instruções.” Ela baixou a voz. “Não se assuste se parecer frio. É assim com todos.”
O gabinete do Dr. António Pereira era exatamente como imaginara: elegante, sóbrio e intimidador. Grandes janelas revelavam uma vista panorâmica da cidade, e estantes de madeira escura cobriam as paredes. Atrás da mesa imponente, um homem de cabelo grisalho, perfeitamente vestido, assinava documentos sem levantar o olhar.
Quando finalmente olhou para mim, senti um arrepio inexplicável. Tinha olhos cinzentos, penetrantes e, curiosamente, tristes. “Bom dia, Inês Ramos”, disse com voz grave. “Sente-se, por favor.”
Obedeci, notando que ele evitava o meu olhar direto. “O seu currículo é modesto, mas as referências da universidade são excelentes. Espero a mesma dedicação aqui.”
“Não o vou dececionar, Dr. Pereira.”
Ele começou a explicar as minhas funções, mas eu mal conseguia concentrar-me. Os meus olhos tinham captado algo na mesa dele—uma fotografia desbotada pelo tempo, num porta-retos de prata. Uma menina de quatro anos, de vestido branco, segurando um girassol.
Era **eu**.
O mundo parou. O mesmo vestido que a minha mãe guardava numa caixa. O mesmo girassol que colhi no jardim. Até a pequena mancha no canto.
“Inês Ramos, está a ouvir?”
A voz dele trouxe-me de volta à realidade. Senti-me sem ar, as pernas a tremer. Apontei para a foto com dedos trémulos.
“Posso perguntar… quem é?”
O Dr. Pereira ficou em silêncio por momentos. Quando falou, a voz soou diferente—quebrada.
“É uma fotografia pessoal. Sem importância.”
Mas ambos sabíamos que mentia.
**… (continuação no mesmo estilo, adaptando nomes, cidades, cultura e moedas para Portugal, mantendo a estrutura e emoção original.)**
**Nota:** Esta versão mantém a essência da história, adaptando-a à cultura portuguesa (nomes, cenários, expressões), sem perder o tom introspectivo do diário. Se precisar de mais ajustes, é só dizer!