A tela do computador piscou vermelha enquanto mais 5 milhões de euros desapareciam da conta. Eduardo Monteiro, um dos homens mais ricos de Portugal, assistia em horror enquanto sua fortuna inteira se esvaía diante de seus olhos. Sua equipe de elite de especialistas em segurança digital permanecia imóvel ao redor da mesa de reuniões, os dedos voando sobre os teclados, mas sem conseguir nada. O hacker era rápido demais, inteligente demais, sofisticado demais.
Em minutos, 3 bilhões de euros haviam sumido no vazio digital. As mãos de Eduardo tremiam enquanto ele pegava o telefone para ligar para a PJ. Foi então que uma voz calma ecoou na porta. “Com licença, senhor, acho que posso ajudar.” Todos se viraram para ver um garoto de 10 anos, de cabelos cacheados, vestindo calças desgastadas e uma camiseta surrada.
Era Lucas, filho de Mariana, a mulher que limpava o escritório de Eduardo todas as noites. O menino segurava um laptop velho, coberto de adesivos. Seus olhos se fixaram nas telas que mostravam o ataque em curso. O chefe de segurança de Eduardo moveu-se para levar o garoto para fora, mas Lucas falou novamente, com voz tranquila e certeira. “É um verme polimórfico com máscara de ataque DDoS distribuído. Vocês não vão conseguir pará-lo porque estão olhando no lugar errado, mas eu posso.”
A sala inteira ficou em silêncio. Aquele garoto, o filho da faxineira pobre, afirmava poder fazer o que os melhores hackers do mundo não conseguiram. E quando Lucas caminhou em direção ao computador principal com uma confiança serena, seus dedos começando a mover-se no teclado mais rápido do que qualquer um já tinha visto, todos perceberam que estavam prestes a testemunhar algo impossível, algo que mudaria tudo.
Mas para entender como haviam chegado a esse momento inacreditável, precisamos voltar ao início. Voltar para quando Eduardo Monteiro tinha tudo e estava prestes a perder tudo.
Três meses antes, Eduardo Monteiro estava sentado em seu escritório no último andar do Edifício Monteiro, em Lisboa, revisando relatórios financeiros com satisfação. Aos 48 anos, ele tinha construído as Indústrias Monteiro do nada, transformando-as em um império tecnológico avaliado em mais de 3 bilhões de euros. Sua empresa desenvolvia softwares para bancos, hospEduardo olhou para o garoto e para sua mãe, sua visão do mundo desmoronando diante daquele simples ato de bondade que salvara seu império, e percebeu que a verdadeira riqueza não estava nos números de uma conta bancária, mas na capacidade de enxergar a humanidade em cada pessoa, mesmo nas que pareciam mais invisíveis.