O Valentão da Escola Humilhou Ela na Frente de Todos — Mas Não Sabia Com Quem Tava Lidando

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Capítulo 1: A Sombra no Corredor

Beatriz Almeida tinha aperfeiçoado a arte da invisibilidade no seu penúltimo ano no Liceu de Algés. Movia-se pelos corredores como um fantasma, cabeça baixa, ombros curvados, presença tão discreta que os professores às vezes se esqueciam de marcar sua presença mesmo quando ela estava sentada na primeira fila. Seus casacos largos, calças de ganga desgastadas e o hábito de almoçar sozinha na biblioteca criaram uma armadura de anonimato que a protegia das hierarquias sociais e das crueldades banais da vida adolescente.

Mas Beatriz aprendera que a invisibilidade também era um superpoder.

Da sua posição nas sombras, via tudo. Percebia quais alunos vendiam drogas atrás do pavilhão de ciências, quais professores mostravam favoritismo quase inapropriado, e quais populares escondiam distúrbios alimentares, problemas familiares e dificuldades académicas por trás de fachadas cuidadosamente mantidas. Mais importante, documentara o reinado de terror sistemático de Marco “Tanque” Rodrigues, o capitão da equipa de futebol cuja ideia de diversão era tornar a vida dos outros miserável.

Tanque era tudo o que Beatriz não era — um metro e noventa de músculos e arrogância, com um carisma natural que fazia os adultos confiarem nele e os colegas temê-lo. Aprendera cedo que sua combinação de talento atlético, riqueza familiar e intimidação física o protegiam de consequências enquanto lhe permitiam tratar os mais fracos como entretenimento pessoal. Os professores ignoravam sua crueldade porque trazia troféus para a escola. A direção varria queixas para debaixo do tapete porque seu pai doava generosamente aos programas desportivos. Os outros alunos ficavam calados porque desafiar Tanque significava virar seu próximo alvo.

Durante três anos, Beatriz assistira Tanque destruir a confiança e segurança de dezenas de alunos. Vira ele empurrar caloiros contra os cacifos, roubar dinheiro do almoço de quem não podia perder um tostão, e espalhar rumores que levaram mais de um aluno a mudar de escola para fugir da devastação social que ele orquestrava. Compilara um catálogo mental de suas vítimas, seus métodos e as falhas administrativas que permitiam seu comportamento continuar impune.

O ponto de ruptura veio numa terça-feira de outubro, quando Beatriz chegou cedo e ouviu sons de angústia vindo da casa de banho perto do ginásio. Lá dentro, encontrou Rui Chen, um miúdo franzino do décimo ano com óculos grossos e uma energia nervosa de quem espera problema a qualquer momento. Rui estava encolhido no chão, protegendo o braço esquerdo enquanto lágrimas de dor e humilhação escorriam pelo rosto.

Tanque ficava sobre ele, estalando os nós dos dedos com satisfação. “Da próxima vez, pensas duas vezes antes de esbarrar em mim no corredor, quatro-olhos.”

“Eu disse que era sem querer,” Rui sussurrou, entre dentes cerrados.

“Sem querer tem consequências,” Tanque respondeu, cutucando o braço lesionado de Rui com o pé e arrancando-lhe um grito de dor. “Talvez agora aprendas a olhar por onde andas.”

Beatriz levou Rui à enfermaria depois de Tanque sair, ficando com ele até a ambulância chegar para levá-lo ao hospital. O braço de Rui estava fraturado em dois lugares, exigindo cirurgia e meses de fisioterapia que afetariam sua habilidade de tocar violino — sua única fonte de alegria e seu caminho planeado para uma bolsa de música.

Quando o diretor, sr. Costa, entrevistou os alunos sobre o incidente, a versão oficial surgiu rapidamente: Rui escorregara na casa de banho e magoara-se numa queda acidental. Ninguém vira qualquer conflito. Tanque estivera no ginásio com colegas da equipa que atestavam seu paradeiro. A investigação encerrou-se em menos de um dia.

Mas Beatriz vira tudo. E, ao contrário dos outros colegas de Rui, não tinha medo de Tanque Rodrigues.

(continuação nos capítulos seguintes, seguindo a mesma estrutura e adaptação cultural)

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