O Rico Voltou Sem Avisar – E o Que Viram as Babás Fazer Com as Crianças Chocou

6 min de leitura

**Diário de Pedro Alves**

Pedro Alves voltou para casa sem avisar. Ao abrir a porta, ficou paralisado. Joana brincava com os seus três filhos. Martim, Duarte e Tomás riam como nunca antes. Mas o que Pedro ouviu quando ela não sabia que ele estava ali revelaria um segredo devastador. Pedro apertou o volante do seu Mercedes preto com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.

O telemóvel continuava a tocar no banco do passageiro, vibrando insistentemente contra o couro italiano. Era a décima chamada do sócio em menos de uma hora, mas Pedro não tinha intenção de atender. Pela primeira vez em 15 anos de carreira implacável, tomara uma decisão que desafiava toda a lógica empresarial: cancelar a reunião mais importante do ano e regressar a casa numa quarta-feira comum.

A autoestrada estendia-se à sua frente como uma fita cinzenta sob o sol da tarde. Normalmente, fazia este percurso às sextas à noite, exausto depois de uma semana de decisões que moviam milhões, de negociações que determinavam o futuro de centenas de funcionários. Mas hoje era diferente. Hoje acordara no seu quarto de hotel de cinco estrelas em Lisboa, sentindo um vazio no peito que nenhum valor na conta bancária conseguia preencher.

A chamada chegara às 6 da manhã. A voz do filho Martim do outro lado da linha, pequena e trémula, dizendo que não queria que o pai se ausentasse tanto tempo, que Duarte chorara a noite toda, que Tomás não queria comer. Pedro tentara acalmá-los como sempre, prometendo-lhes presentes espetaculares quando voltasse, falando dos parques de diversões que iriam visitar. Mas então Martim dissera algo que o trespassou como uma faca.

*”Pai, por que é que a Joana nos quer mais do que tu?”*

Nove palavras. Bastaram para destruir a fachada perfeita que Pedro construíra cuidadosamente nos últimos dois anos. Desde que Catarina, a sua esposa, decidira que a maternidade não era para ela e os abandonara por uma vida de liberdade e autodescoberta num qualquer retiro em Bali, Pedro compensara a sua ausência com dinheiro—muito dinheiro. A melhor casa, os melhores brinquedos, a melhor educação e, claro, a melhor empregada que o dinheiro podia contratar.

Joana Marques entrara na sua vida há 18 meses através de uma agência de elite. O currículo era impecável, referências brilhantes, experiência com crianças, discrição absoluta. Mas o que selara a contratação foi algo nos seus olhos durante a entrevista—uma autenticidade calorosa que contrastava drasticamente com a frieza eficiente das outras candidatas. Pedro achara que aquele calor seria bom para os seus filhos. Nunca imaginara que esse mesmo calor revelaria o seu próprio fracasso como pai.

O Mercedes saiu na direção do seu bairro exclusivo, as mansões começando a aparecer entre as árvores perfeitamente podadas. Pedro vivia numa das zonas mais caras da cidade, onde cada casa era um monumento ao sucesso financeiro dos seus donos. A sua propriedade ocupava meio quarteirão—10.000 metros quadrados de jardins desenhados por paisagistas premiados, uma piscina olímpica, um campo de ténis e uma casa de dois andares com mais quartos do que alguma vez precisariam.

Ao aproximar-se do portão principal, notou algo incomum. Normalmente, a casa parecia silenciosa, controlada, quase um museu na sua perfeição. Mas hoje, mesmo da rua, conseguia ouvir algo que lhe acelerou o coração.

Risadas.

Risadas infantis, desenfreadas, do tipo que sacode o corpo todo e deixa as crianças sem fôlego.

Estacionou na entrada circular e ficou sentado por um momento, apenas a ouvir. Quando foi a última vez que ouvira os seus filhos rirem assim? Não se lembrava. Nas últimas semanas, os poucos momentos que passava com eles antes de adormecerem eram sempre calados, quase temerosos de o incomodarem depois dos seus longos dias de trabalho.

Pedro saiu do carro em silêncio, deixando a pasta executiva no banco traseiro. Algo lhe dizia que precisava de ver o que se passava antes de anunciar a sua presença. Aproximou-se da porta principal, notando que estava ligeiramente entreaberta. As risadas tornaram-se mais altas, agora misturadas com uma voz feminina que ele reconheceu imediatamente como a de Joana.

*”Mais forte, guerreiros! Não vão deixar que uma mulher vos vença!”*

Pedro empurrou a porta suavemente, e o que viu deixou-o completamente paralisado no limiar.

O elegante hall de entrada em mármore—normalmente impecável—tinha sido transformado num campo de batalha improvisado. As almofadas do sofá de designer de 12.000 euros estavam empilhadas, formando uma fortaleza. Os tapetes persas estavam desalinhados. E no meio de tudo, Joana e os seus três filhos estavam num épico jogo de cabo de guerra, usando o que parecia ser a sua gravata de seda da Hermès de 450 euros.

Joana segurava um dos lados da gravata, descalça, os pés firmes no chão de mármore, inclinando-se para trás com toda a sua força. O uniforme de empregada doméstica, normalmente impecável, estava desarrumado, o cabelo castanho a escapar-lhe do rabo-de-cavalo. Mas o que mais chocou Pedro foi a sua expressão—pura alegria, sem reservas, sem a formalidade cuidadosa que sempre mantinha quando ele estava presente.

Do outro lado da gravata, Martim, Duarte e Tomás puxavam com todas as suas forças, os rostos vermelhos de esforço, gritando instruções uns aos outros entre gargalhadas.

*”Duarte, puxa mais forte!”*, gritou Martim, os seus sete anos fazendo dele o líder natural do trio.

*”Estou a puxar!”*, respondeu Duarte, um dos trigémeos, com a mesma determinação.

Tomás, o mais novo por três minutos, enrolara a gravata à volta da cintura e puxava com todo o seu peso de 18 quilos, as pernas rechonchudas escorregando comicamente no mármore polido.

*”Um, dois, três, agora!”*, gritou Joana e, deliberadamente, deixou-se cair para a frente, soltando a gravata no momento perfeito para os três caírem numa pilha de risos sobre as almofadas.

Pedro sentiu algo estranho na garganta.

Os filhos rodavam sobre as almofadas sem fôlego de tanto rir, enquanto Joana se aproximava deles de mãos no ar como um monstro de brincar.

*”O monstro das cócegas vem aí!”*, rosnou com uma voz cómica que fez os miúdos gritarem de antecipação.

*”Não!”*, gritaram os três em uníssono, mas era óbvio que queriam exatamente aquilo. Joana atirou-se para cima da pilha de almofadas, fazendo-lhes cócegas em simultâneo. As risadas tornaram-se quase histéricas—o tipo de riso puro que só as crianças conseguem ter, sem inibições, sem preocupações, sem nada além da alegria absoluta do momento presente.

Pedro encontrou-se a apoiar-se na ombreira da porta, incapaz de se mover, incapaz de anunciar a sua presença. Havia algo nesta cena tão crua, tão real, tão cheia de vida, que ele sentiu-se um intruso na sua própria casa—como se estivesse a observar um mundo ao qual não pertencia, um mundo onde os seus filhos eram genuinamente felizes.

Após vários minutos de cócegas e risadas, as crianças finalmente desmoronaram-se num montinho exausto. Joana sentou-se ao lado deles, igualmente sem fôlego, as costas apoiadas no sofá de designer agora meio desmontado.

*”Rendem-se?”*, perguntou, ainda ofegante.

*”Nunca!”*, declarou Martim, mas o seu sorriso sonolento contradizia as palavrasPedro deu um passo à frente, com o coração a bater forte, e percebeu que a verdadeira riqueza não estava nos milhões que acumulara, mas nos pequenos momentos de amor que finalmente decidira abraçar.

Leave a Comment