O Rico Voltou de Surpresa e o que Viu a Babá Fazendo com os Trigêmeos o Chocou

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João Almeida regressou a casa sem avisar. Ao abrir a porta, ficou paralisado. Beatriz brincava com os seus três filhos. Pedro, Tiago e Miguel riam como nunca antes. Mas o que João ouviu quando ela não sabia que ele estava ali revelaria um segredo devastador. João apertou o volante do seu Mercedes preto com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.

O telemóvel continuava a tocar no banco do passageiro, vibrando insistentemente contra o couro italiano. Era a décima chamada do sócio em menos de uma hora, mas João não tinha intenção de atender. Pela primeira vez em 15 anos de carreira empresarial implacável, tomara uma decisão que desafiava toda a lógica de negócios. Cancelara a reunião mais importante do ano e voltara para casa a meio de uma quarta-feira vulgar.

A autoestrada estendia-se à sua frente como uma fita cinzenta sob o sol da tarde. Normalmente, fazia este percurso às sextas à noite, exausto depois de uma semana de decisões que moviam milhões, de negociações que determinavam o futuro de centenas de empregados. Mas hoje era diferente.

Hoje acordara no seu quarto de hotel cinco estrelas em Lisboa, sentindo um vazio no peito que nenhum valor na sua conta bancária conseguia preencher. A chamada chegara às 6 da manhã. A voz do seu filho Pedro do outro lado da linha, pequena e quebrada, a dizer que não queria que o pai se ausentasse tanto tempo, que Tiago chorara a noite toda, que Miguel se recusara a comer. João tentara acalmá-los como sempre, prometendo presentes espetaculares quando regressasse, falando dos parques de diversões que visitariam.

Mas então Pedro dissera algo que o trespassou como uma faca: *”Pai, porque é que a Beatriz nos quer mais do que tu?”*

Nove palavras que destruíram a fachada perfeita que João construíra cuidadosamente nos últimos dois anos. Desde que Sofia, a sua esposa, decidira que a maternidade não era para ela e os abandonara por uma vida de liberdade e auto-descoberta num qualquer retiro no Nepal, João compensara a ausência com dinheiro, muito dinheiro. A melhor casa, os melhores brinquedos, a melhor educação e, claro, a melhor empregada doméstica que o dinheiro podia contratar.

Beatriz Santos entrara nas suas vidas há 18 meses, através de uma agência de emprego de elite. O currículo era impecável, referências brilhantes, experiência com crianças, discrição absoluta. Mas o que selara a sua contratação fora algo nos olhos durante a entrevista, uma genuína ternura que contrastava dramaticamente com a frieza eficiente das outras candidatas.

João pensara que essa ternura seria boa para os filhos. Nunca imaginara que essa mesma ternura revelaria o seu próprio fracasso como pai.

O Mercedes tomou a saída para o seu bairro exclusivo, com as mansões a surgir entre árvores perfeitamente podadas. João vivia numa das zonas mais caras da cidade, onde cada casa era um monumento ao sucesso financeiro dos donos. A sua propriedade ocupava metade de um quarteirão, 10.000 m² de jardins desenhados por paisagistas premiados, uma piscina olímpica, um campo de ténis e uma casa de dois andares com mais quartos do que alguma vez precisariam.

Ao aproximar-se da entrada principal, notou algo incomum. Normalmente, a casa parecia silenciosa, controlada, quase museal na sua perfeição. Mas hoje, mesmo da rua, ouvia algo que acelerou o seu coração. Risadas infantis, desenfreadas, do tipo que sacode o corpo inteiro de uma criança e a faz arquejar por ar.

Estacionou o Mercedes na entrada circular e ficou sentado por um momento, apenas a ouvir. Quando fora a última vez que ouvira os filhos rir assim? Não conseguia lembrar-se. Nas últimas semanas, os breves momentos que passava com eles antes de adormecerem eram sempre silenciosos, quase receosos de o incomodar depois dos seus longos dias de trabalho.

João saiu do carro em silêncio, deixando a pasta executiva no banco traseiro. Algo lhe dizia que precisava de ver o que se passava antes de anunciar a sua presença. Aproximou-se da porta principal, notando que estava ligeiramente entreaberta, e as risadas tornaram-se mais altas, misturadas agora com uma voz feminina que reconheceu imediatamente como sendo a de Beatriz.

— Mais força, guerreiros! Não vão deixar que uma mulher os vença!

João empurrou a porta suavemente, e o que viu deixou-o completamente paralisado no limiar. O elegante hall de mármore, normalmente impecável, transformara-se num campo de batalha de brincadeiras. As almofadas do sofá de designer valiam 15.000 euros e estavam empilhadas, criando uma fortaleza improvisada. Os tapetes persas estavam amarfanhados e desalinhados.

E no centro de tudo, Beatriz e os seus três filhos estavam no meio de um épico jogo de cabo-de-guerra, usando o que parecia ser a sua gravata de seda Hermès de 500 euros. Beatriz segurava uma ponta da gravata, os pés descalços firmes no chão de mármore, inclinando-se para trás com toda a força. O uniforme de empregada doméstica, normalmente impecável, estava desalinhado, o cabelo castanho escorrendo do rabo-de-cavalo.

Mas o que mais chocou João foi a expressão dela: pura alegria, sem reservas, sem a formalidade cuidadosa que sempre mantinha quando ele estava presente.

Do outro lado da gravata, Pedro, Tiago e Miguel puxavam com todas as forças, os rostinhos vermelhos de esforço, gritando instruções uns aos outros entre gargalhadas.

— Tiago, puxa com mais força! — gritou Pedro, os seus sete anos fazendo dele o líder natural do trio.

— Estou a puxar! — respondeu Tiago com a mesma determinação.

Miguel, o caçula, tivera a ideia de enrolar a gravata à volta da cintura e puxava com todo o seu peso, as perninhas gordas escorregando comicamente no mármore polido.

— Um, dois, três, agora! — gritou Beatriz, deliberadamente deixando-se cair para a frente, soltando a gravata no momento perfeito para que os três caíssem numa pilha de risos sobre as almofadas atrás deles.

João sentiu algo estranho na garganta. Os filhos rebolaram sobre as almofadas sem fôlego de tanto rir, enquanto Beatriz se aproximava deles com as mãos no ar como um monstro de brincadeira.

— O monstro das cócegas vem aí! — rugiu ela com uma voz engraçada que fez as crianças gritarem de antecipação.

— Não! — gritaram os três em uníssono, mas era óbvio que queriam exatamente isso.

Beatriz atirou-se para cima da pilha de almofadas, fazendo cócegas aos três em simultâneo. As risadas tornaram-se quase histéricas, o tipo de riso puro que só as crianças conseguem ter, sem inibições, sem preocupações, apenas o momento presente de alegria.

João encontrou-se encostado à ombreira da porta, incapaz de se mover, incapaz de anunciar a sua presença. Havia algo nesta cena que era tão cru, tão real, tão cheio de vida, que se sentiu um intruso na própria casa, como se estivesse a observar um mundo ao qual não pertencia.

Depois de vários minutos de cócegas e risos, as crianças finalmente colapsaram numa pilha exausta. Beatriz sentou-se ao lado deles, também sem fôlego, as costas apoiadas no sofá de designer agora meio desmontado.

— Desistem? — perguntou, ainda a arquejar.

— Nunca! — declarou Pedro, mas o seu sorriso sonolento contradizia as palavras corajosas.

— Beatriz — disse Miguel, a sua voz pequena mas clara no súbito silêncio — podes ficar para sempre?

A pergunta inocente trespassJoão entrou finalmente na sala, com o coração apertado, percebendo que ali, entre risos e brincadeiras, estava a verdadeira riqueza que sempre procurava.

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