Desceu os degraus da frente tão depressa que quase falhou o último, depois saltou direto para a relva descalça, gritando como se alguém tivesse sido incendiado. Todos pensaram que ela estava louca.
A risada que soltou em seguida, alta e despreocupada, fez os vizinhos olharem pela janela, uns com sobrancelhas erguidas, outros contagiados pela energia inexplicável. O sol batia no seu vestido simples, e os pés, agora sujos de terra, afundavam levemente na grama molhada.
“Estás bem?” perguntou um senhor, parando com o carrinho de compras.
“Melhor que nunca!” ela respondeu, girando no mesmo lugar como uma criança, os braços abertos para o céu.
Alguns abanaram a cabeça, murmurando sobre modernices. Outros sorriram, lembrando-se de quando a vida ainda permitia saltos sem razão.
Ela não se importou. A relva fresca entre os dedos, o cheiro da terra depois da chuva—pequenos prazeres que a cidade quase enterrou. Às vezes, um grito no silêncio é tudo o que falta para se sentir vivo.