O Bebê Chorou ao Ver a Empregada — Suas Primeiras Palavras Chocaram a Todos

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Os cálices de cristal ainda vibravam quando o silêncio caiu no salão. Cinquenta convidados da alta sociedade viraram-se, desconcertados, para a mesma cena: Matias, o filho de dois anos de um magnata hoteleiro, correu pelo chão de mármore, com as bochechas vermelhas de tanto chorar, e atirou-se nos braços… da empregada.

“Mamã!” gritou, a voz a falhar de emoção.

A palavra ecoou como uma bomba.

O menino — que não tinha proferido uma única palavra desde que a mãe morrera, há mais de um ano — quebrara o silêncio, chamando “mamã” a uma mulher de uniforme cinzento, com um rabo-de-cavalo simples e um esfregão na mão.

Inês congelou. A alma desceu-lhe aos pés quando Matias se agarrou desesperadamente às suas pernas, enterrando o rosto no avental como se fosse o lugar mais seguro do mundo.

“Mãe… mãe…” repetiu, entre soluços.

Os convidados trocaram olhares perplexos. A mãe de Francisco apertou o peito. Francisco — dono de uma das maiores cadeias hoteleiras de Portugal — pousou a taça de champanhe sem se dar conta. Ao lado dele, Beatriz Lobo, sua elegante noiva, corou de raiva sob a maquilhagem impecável.

“Mas que raio é isto?” rosnou Beatriz, avançando para Inês como um animal ferido. “O que lhe fizeste? Que bruxaria é esta?”

Inês não conseguiu falar. Uma palavra errada e tudo o que cuidadosamente construíra em três anos de fugas podia desabar. Porque ela não era Marta, a empregada. Era Inês Tavares de Almeida — uma herdeira fugitiva, uma noiva que escapara a um monstro num fato de marca. E se o seu segredo viesse à luz, podia custar-lhe a vida.

Francisco pegou em Matias, que esperneou e gritou, estendendo os bracinhos novamente para Inês.

“Ela não é a tua mamã,” sussurrou Francisco, engasgado. “A mamã já não está aqui.”

“Não! Mamã!” chorou o menino, tentando libertar-se.

Os murmúrios aumentaram. Beatriz acusou. Francisco ordenou que todos fossem para o seu escritório. Apontou para Inês, evitando o seu olhar.

“Tu também.”

Enquanto subiam a escadaria com a criança aos gritos, uma noiva furiosa e segredos prontos a explodir, Inês teve uma premonição clara: esta noite, tudo o que tentara esconder viria à tona. Porque aquele “Mamã” não fora um erro — era a peça que faltava de uma história que começara anos antes, noutra casa, com outra família… e outra tentativa de assassinato.

Três meses antes, Inês estivera diante de uma porta diferente — a entrada de serviço da mansão Sousa em Cascais. Com um vestido simples, sandálias gastas e tudo o que possuía numa mochila, tocou a campaínha com a mão a tremer. Vira o anúncio no jornal: “Precisa-se empregada doméstica. Comparecer pessoalmente.”

Mais do que um trabalho, procurava um lugar para se esconder.

Uma mulher robusta, com avental impecável e um carrapito apertado, atendeu. “É para o emprego?”

“Sim, senhora. Marta Inês Pereira,” mentiu com naturalidade. Mentir tornara-se um instinto. Deixara de ser “Tavares de Almeida” na noite em que fugira do próprio casamento.

A governanta, Dona Júlia, observou-a com cepticismo. Bonita demais para ser empregada. Refinada demais para ter nascido no serviço. Mas via-lhe algo mais nos olhos: medo… e uma necessidade desesperada de recomeçar.

“Trabalha-se muito aqui. E valorizamos discrição. O que acontece nesta casa fica nesta casa. Entendido?”

“Perfeitamente.”

Naquela noite, sozinha num quartinho de serviço, Inês desdobrou uma foto gasta dentro de um medalhão — uma versão mais nova de si mesma, num vestido elegante, ao lado de um homem de olhar cansado.

O seu pai.

José Tavares de Almeida. Magnata farmacêutico. O homem que lhe dera tudo… e quase a entregara ao lobo.

António Varela, seu ex-noivo, era impecável nas revistas: fatos italianos, dentes brancos, um sobrenome poderoso. A união deles devia criar um império. No início, António era encantador. Depois, a máscara caiu — ciúmes, controlo, insultos… hematomas onde ninguém podia ver.

Na noite do jantar de noivado, magoou-lhe o pulso sob a mesa por abraçar um amigo gay da faculdade.

“Uma mulher não me envergonha em público,” sussurrou com sorriso falso.

Tentou contar ao pai, mas ele estava a morrer de cancro — e feliz por lhe assegurar o futuro. Partir-lhe o coração não era opção.

Então, desapareceu. Na véspera do casamento. Deixou uma carta. Levou um passaporte falso. E fugiu.

Desde então, mudara de cidades, nomes, empregos. Nunca esperara cruzar-se com outra mulher presa num pesadelo como o seu.

Meses antes, numa limpeza noturna num hospital, ouvira soluços abafados num quarto privado. Bateu à porta.

“Precisa de uma enfermeira?” perguntou.

“Nenhuma enfermeira resolve isto,” respondeu uma voz quebrada.

Lá dentro, encontrou Carolina Sousa: bela mesmo com gesso, nódoas negras e olhos inchados.

“Oficialmente, foi um acidente de carro,” disse Carolina. “Mas eu sei que os travões não falharam sozinhos.”

“Alguém os sabotou. E eu sei quem. Beatriz Lobo.”

Beatriz. A mesma mulher agora noiva de Francisco. Uma socialite obcecada por ele desde a infância. Nunca perdoou o facto de ele ter casado com Carolina, uma humilde professora.

“Ela quer o meu lugar,” sussurrou Carolina. “E se tiver de me matar para o conseguir, fará.”

Inês entendia bem o que era ser perseguida por alguém que sorria em público.

Tornaram-se amigas. Conversas até tarde. Medos, segredos, esperanças. Carolina mostrou-lhe fotos do filho — Matias, de olhos cinzentos e cabelo encaracolado.

“Se algo me acontecer… por favor, fica perto dele. Ama-o. Não suporto a ideia de ele crescer sozinho ou com alguém como a Beatriz.”

Inês prometeu.

Carolina recuperou. As coisas pareciam melhorar.

Até chegar a notícia: outro “acidente.” Desta vez… fatal.

Os travões falharam de novo.

Desolada, Inês ligou para a sogra de Carolina, Dona Amélia, que confirmou seus piores medos. O caso fora encerrado. Beatriz ainda era bem-vinda na mansão. Matias perdera a mãe.

“Se algum dia precisares de emprego,” disse a idosa, “vem. Carolina confiava em ti. Eu também.”

Agora, Inês estava ali, na mansão Sousa, a cumprir uma promessa.

Tentou ser invisível. Trabalhou muito. Manteve a cabeça baixa. Mas ver Matias partiu-a. O menino era quieto, fechado, negligenciado pelas amas coladas ao telemóvel. À noite, chorava sozinho. Ninguém vinha.

Exceto ela.

Entrava no seu quarto com a desculpa de limpar. Cantava baixinho, oferecia água, embalava-o até adormecer. Uma noite, febril e ignorado pela equipa, ele agarrou-se a ela enquanto o arrefecia com panFrancisco, que os observava escondido na penumbra do corredor, sentiu o coração apertar-se ao perceber que, por fim, encontrara alguém que amava Matias tanto quanto ele próprio.

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