Ainda me lembro do primeiro dia em que a vi — aquela menina pequena num vestido amarelo desbotado, descalça, diante dos portões de ferro negro da Quinta dos Moreira. Não devia ter mais de dez anos. O cabelo preso por uma fita azul, daquelas que desfiam com muitas lavagens. Ficou imóvel, a olhar para as letras gravadas nos pilares de pedra…
MOREIRA.
O meu sobrenome.
Eu estava dentro da mansão — paredes de vidro, chão de mármore, um silêncio tão limpo que parecia nada ali ter sido tocado pela vida real. A minha família gostava assim. Controlado. FriE, enquanto atravessávamos a noite, o passado dissolveu-se como névoa, e pela primeira vez senti que o futuro pertencia apenas a nós três.