Filho Rico Gritava Todas as Noites… Até a Babá Descobrir o Segredo no Travesseiro!

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Era quase duas da manhã naquela mansão antiga nos arredores de Lisboa quando o silêncio se quebrou. Um grito agudo e desesperado ecoou pelos corredores, arrepiando os poucos funcionários ainda acordados. Mais uma vez, vinha do quarto do João.

João tinha apenas seis anos, mas os olhos dele carregavam um cansaço muito além da sua idade. Naquela noite — como em tantas outras — ele se debatia contra o braço do pai. Ricardo, um empresário exausto ainda vestindo seu terno amassado, olheiras profundas marcando o rosto, segurava o filho pelos ombros com uma paciência já no limite.

“Chega, João,” ele resmungou, rouco. “Vais dormir na tua cama como uma criança normal. Eu também preciso descansar.”

Com um gesto brusco, pressionou a cabeça do menino contra o travesseiro de seda perfeitamente arrumado. Para Ricardo, era só um travesseiro caro — um símbolo do sucesso que tanto lutara para alcançar.

Mas para o João, era outra coisa.

Assim que a cabeça tocou o travesseiro, o corpo do menino arqueou como se levasse um choque. Um grito escapou-lhe da garganta — não birra, nem teimosia, mas pura dor. As mãozinhas dele se agarraram ao ar, tentando levantar a cabeça enquanto lágrimas escorriam pelo rosto já vermelho.

“Não, pai! Por favor! Dói! Dói!” ele chorou.

Ricardo, cego pelo cansaço e pela influência de fora, só via má-criação.

“Para de exagerar,” murmurou. “Sempre o mesmo drama.”

Trancou a porta por fora e saiu, convencido de que estava impondo disciplina — sem notar a figura silenciosa que testemunhara tudo.

Na sombra, estava Dona Amélia.

Amélia era a nova ama, embora todos a chamassem de Dona Amélia. Cabelos grisalhos presos num coque simples, mãos marcadas pelo trabalho, e olhos que não perdiam nada. Ela não tinha diplomas, nem escritório — mas conhecia o choro das crianças melhor que muitos profissionais. E o que ouvira não era o choro de uma criança mimada. Era o choro de alguém que estava a sofrer.

Desde que chegara à mansão, Amélia reparara em coisas que os outros ignoravam. De dia, João era doce e gentil. Adorava desenhar dinossauros e esconder-se atrás das cortinas para a assustar, rindo baixinho. Mas à noite, o medo tomava conta. Ele agarrava-se às portas, implorava para não ir para o quarto, tentava dormir em qualquer lugar menos na cama — no sofá, no tapete do corredor, até numa cadeira da cozinha.

Algumas manhãs, aparecia com bochechas vermelhas, orelhas irritadas, marquinhas na pele. Beatriz, a noiva do Ricardo, sempre tinha uma explicação.

“Deve ser alergia ao tecido,” dizia, suave. “Ou coça-se a dormir.”

Dizia com tanta segurança que as dúvidas desapareciam — menos as de Amélia.

Beatriz era perfeita por fora: beleza de revista, roupas impecáveis, sorrisos ensaiados. Mas Amélia reparava na impaciência quando o João falava, na irritação quando ele pedia colo, no frio quando Ricardo abraçava o filho. Para Beatriz, o João não era uma criança — era um obstáculo.

Naquela noite, com os soluços abafados a escaparem pela porta trancada, algo dentro de Amélia partiu-se. Ela ainda não sabia a causa — mas sabia que o medo do João era real.

Quando a casa finalmente adormeceu, Amélia agiu.

Esperou até as luzes se apagarem, os passos se dissiparem, e a mansão se render aos seus rangidos noturnos. Depois, pegou uma pequena lanterna no bolEntão, com mãos firmes, afastou o travesseiro e envolveu o João num abraço apertado, prometendo que nunca mais lhe doeria.

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