Ela fugou grávida para se vingar: o castigo veio anos depois com as gêmeas

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*Diário de um Homem*

Era uma noite chuvosa na Serra da Estrela. Joana estava sentada no chão frio, abraçando o ventre que começava a arredondar-se. Na sala, Jorge falava baixinho com uma mulher cuja identidade não era preciso adivinhar. Ela já não tinha forças para perguntar: tudo estava claro.

Tinha sacrificado tudo: voltara a trabalhar, ajudara Jorge a abrir o restaurante dele na Serra da Estrela e humilhara-se. Mas quando o negócio prosperou, as primeiras palavras que ouviu foram: «Agora é que te amo.»

No início, pensou que aguentaria. Pela criança. Mas quando Jorge atirou a ecografia e disse com frieza: «Resolve isso, eu pago tudo», percebeu que não havia mais nada a que voltar.

Sem fazer barulho, meteu na mochila umas roupas e as economias que tinha. Antes de sair, olhou para a foto de casamento na parede e murmurou: «Não vou chorar mais.»

Pegou o autocarro para Lisboa: uma cidade grande o suficiente para se esconder, distante o bastante para não ser encontrada, nova o suficiente para recomeçar.

Ao chegar, já estava no quinto mês de gravidez. Sem casa, sem família, sem emprego… só o desejo ardente de viver para o filho.

Arranjou trabalho como empregada numa tasca perto do Cais do Sodré. Dona Fernanda, a dona, teve pena dela e ofereceu-lhe um quartinho atrás da cozinha. «Assim é a vida de uma mulher. Às vezes tens de ser mais corajosa do que pensas», dizia-lhe.

Em outubro, nasceram no hospital municipal duas meninas gémeas. Chamou-lhes Beatriz e Matilde, na esperança de que as suas vidas fossem firmes e fortes, como os nomes.

Passaram-se sete anos. Joana tinha agora uma pequena floraria na Rua Augusta, o suficiente para sustentar as três. As gémeas eram brilhantes: Beatriz, alegre; Matilde, séria… mas ambas loucas pela mãe.

Num Natal, ao ver o telejornal, Joana viu Jorge no ecrã: transformara-se num empresário de sucesso na Serra da Estrela, dono de uma cadeia de restaurantes, casado com Carolina, a antiga amante. De mãos dadas, sorriam para a câmara como uma família perfeita.

Mas o sangue de Joana já não ferveu. A raiva apagara-se; só restou a desilusão e um sorriso amargo.

Olhou para as filhas, lindas e cheias de vida. Meninas que o pai quera que abortasse, mas que agora eram a sua maior força.

Naquela noite, escreveu no Facebook, onde não publicava há sete anos:
«Voltei. E já não sou a Joana de antes.»

*O Regresso*

Depois do Natal, Joana voltou à Serra da Estrela com as gémeas. Alugou uma casinha perto do centro e passou a chamar-se Leonor Santos.

Não precisava do reconhecimento de Jorge. Só queria que ele provasse o mesmo gosto amargo da rejeição e da humilhação.

Candidatou-se como coordenadora de eventos nos restaurantes da cadeia de Jorge. Sob a nova identidade, depressa se destacou como Leonor: profissional, firme, simpática. Jorge não a reconheceu; pelo contrário, parecia encantado com o carisma daquela funcionária.

—«Pareces-me familiar. Já nos vimos antes?» — perguntou ele na festa da empresa.
Leonor sorriu, com um brilho frio no olhar:
—«Talvez seja só um sonho. Mas eu sou o tipo de mulher que se esquece facilmente.»

Um desconforto apertou-lhe o peito.

*A Descoberta*

Semanas depois, Jorge sentiu-se cada vez mais atraído pela presença de Leonor. Ela, por sua vez, foi deixando pistas: a música que ele ouvia sem parar, o prato que costumava fazer para o aniversário de Joana, o verso de poesia que lhe dedicara no passado.

Jorge não conseguiu ficar indiferente. Quem era, afinal, Leonor Santos?

Começou a investigar o passado dela, e os resultados diziam: Leonor Santos, natural de Lisboa,

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