Demitida Sem Justiça, Babá Se Despede da Criança… E Ouve: ‘Ela É da Nossa Família’

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Há muito tempo, numa Lisboa de ruas estreitas e cantos cheios de história, uma babá chamada Beatriz atravessou o portão de ferro da imponente mansão dos Carvalho com a alma pesarosa. Levava apenas uma mala e metade do seu salário, cortado sem explicação. Prometera a si mesma que não olharia para trás, mas o grito que ecoou na escadaria fez o tempo parar: “Pai, não! Ela é da família!” Naquele instante, o milionário Afonso Carvalho compreendeu que confiara na pessoa errada.

Beatriz, de 25 anos, vinha de uma aldeia perdida nos montes de Trás-os-Montes, onde se aprende a labutar antes de saber sonhar. Órfã desde os 18, chegara a Lisboa com pouco mais que roupas e esperanças, sobrevivendo de trabalhos passageiros e palavras vazias. Até ler o anúncio: “Babá necessária, com alojamento, bom ordenado.” Na entrevista, Afonso mal piscou. Olhos frios, fato impecável, um silêncio que mais parecia luto. “A minha filha Leonor perdeu a mãe. Preciso de alguém forte e carinhosa.” Beatriz não hesitou: “Vou cuidar dela como se fosse minha.”

Leonor, de cinco anos, era pequena de mais para tanta mágoa. No primeiro dia, sussurrou: “Também vais embora?” Beatriz ajoelhou, segurou-lhe as mãos e prometeu: “Eu fico.” E ficou. Fizeram bolinhos aos domingos, histórias com vozes de brincadeira, recadinhos no frigorífico para um pai sempre ausente: “Tu consegues.” Aos poucos, a casa ganhou vida. Afonso observava à distância, com medo de se deixar apaixonar.

Até que uma quarta-feira trouxe um descapotável vermelho à porta. Constança, irmã da falecida esposa, entrou como quem manda. No escritório, a sua voz cortou o ar: “Esta criada só quer o teu dinheiro! Vi-a a mexer nos teus papéis!” Beatriz, que apenas deixara o café na mesa, sentiu o chão fugir-lhe. Afonso, ferido por velhas perdas, escolheu a desconfiança. “Faz as malas. Em uma hora.”

A despedida arrebentou corações. Leonor correu, soluçando, e agarrou-se ao pescoço de Beatriz. “Prometeste!” Afonso tentou chamá-la, mas a menina gritou o que todos calavam: “Ela é da família!” Beatriz saiu pelo portão com lágrimas e sem rumo, até ser acolhida no sofá de uma velha amiga, a Joana.

Naquela noite, Leonor recusou o jantar. Afonso, perturbado, pediu as gravações das câmaras. E viu: Beatriz entrou, deixou o café, saiu. Depois, Constança revirou papéis e sorriu. A culpa caiu-lhe como uma pedra. Expulsou Constança, procurou Beatriz e, dias depois, encontrou-a num café do Chiado. “Errei. A Leonor está desfeita. Dá-me uma chance.” Beatriz respirou fundo. “Volto por ela. Mas sem desrespeito.”

Quando Leonor a viu, correu como se o coração tivesse asas. A mansão voltou a respirar. Mas Constança decidiu atacar onde mais doía: forjou queixas, espalhou mentiras e, numa tarde de chuva, tentou raptar Leonor da escola com documentos falsos. O pânico instalou-se… e terminou num armazém abandonado, cercado pela polícia. Leonor correu para os braços dos dois, trémula, mas sã.

Com Constança presa e as mentiras desfeitas, Afonso aprendeu a ficar. Beatriz aprendeu a confiar. E Leonor, enfim, voltou a adormecer sorrindo.

Semanas depois, Afonso trocou reuniões por jantares em família e pediu perdão à filha, sem orgulho. Beatriz aceitou um contrato e um lugar à mesa. À janela, três vultos uniam-se: pai, filha e a babá que se tornou lar.

“Se crês que nenhuma dor é maior que a promessa de Deus, comenta: EU CREIO! E diz-nos: de que cidade nos vês, hoje?”

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