Coma Isso e Será Curado… O Pai Ficou Furioso, Mas 1 Minuto Depois…

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O pai estava furioso, mas um minuto depois, Francisco Mendes caminhava de um lado para o outro do corredor do hospital, as mãos tremiam enquanto segurava o telemóvel que não parava de tocar. Mais um especialista havia saído do quarto sem respostas, deixando para trás apenas olhares de preocupação e palavras vagas sobre exames adicionais.

Seu filho Tomás estava a piorar há três semanas, recusando qualquer alimento, e ninguém conseguia explicar porquê. Foi então que um menino apareceu no corredor. Não devia estar ali – isso ficou claro pela forma como a enfermeira de turno olhou surpreendida para ele. O rapaz usava um bonito desgastado e roupa simples, limpa, mas marcada pelo tempo.

“O senhor é o pai do menino do quarto 412?”, perguntou o garoto com voz baixa mas firme. Francisco virou-se bruscamente, pronto para expulsar o intruso. “Como sabias que número do quarto do Tomás? Quem és tu? O que queres aqui?” A voz de Francisco saiu mais áspera do que pretendia.

“Chamo-me Tiago, senhor. Eu… eu sei como fazer o seu filho comer.”

A ousadia da afirmação deixou Francisco sem palavras por um momento. Depois veio a fúria, quente e rápida. Mais um oportunista querendo tirar vantagem do desespero de um pai. Já tinha lidado com curandeiros, vendedores de tratamentos milagrosos, gente oferecendo orações e remédios.

“Segurança!”, chamou Francisco alto o suficiente para que os dois homens uniformizados no fim do corredor ouvissem.

“Por favor, deixe-me explicar”, Tiago deu um passo à frente com as mãos levantadas num gesto de paz. “Não quero dinheiro, só quero ajudar.”

“Ajudar?” Francisco quase riu da ironia. “És um miúdo, nem deves ter 13 anos. Como pensas ajudar quando os melhores médicos de Lisboa não conseguem?”

“Doze”, corrigiu Tiago. “Tenho 12 anos e aprendi a cuidar do meu avô. Ele tinha um problema parecido.”

Os seguranças já estavam a poucos metros quando aconteceu algo inesperado. A porta do quarto 412 abriu-se e a enfermeira Cátia apareceu segurando a mão de Tomás. O menino louro, pálido e frágil na cadeira de rodas olhava fixamente para Tiago. Era a primeira vez em duas semanas que Tomás mostrava interesse por algo que não fosse a janela do quarto.

“Esperem”, Francisco levantou a mão parando os seguranças. Aproximou-se do filho e ajoelhou-se junto à cadeira. “Tomás, o que se passa, filho?” Mas Tomás não olhava para o pai. Seus olhos azuis, fundos e cansados, permaneciam fixos no rapaz do bonito.

“O seu filho reconhece algo em mim”, disse Tiago suavemente. “As crianças sentem quando alguém entende pelo que estão a passar.”

“Isso é absurdo”, Francisco levantou-se. “Não sabes nada sobre o meu filho.”

“Sei que ele não come porque dói”, continuou Tiago ignorando a aspereza de Francisco. “Não dói a barriga, dói aqui.” Ele tocou no peito. “E quanto mais as pessoas insistem, mais aperta aqui dentro até parecer impossível engolir nada.”

Francisco sentiu um nó na garganta. Como é que aquele miúdo de rua descrevia tão perfeitamente o que os médicos tinham levado duas semanas para começar a suspeitar?

“O meu avô ficou assim depois da minha avó partir”, continuou Tiago com voz carregada de uma tristeza antiga. “Os médicos chamavam disfagia psicogénica, mas eu chamava coração partido. Tive que aprender a alimentá-lo de maneira diferente.”

“E como é que o fazia exatamente?” A voz veio de trás de Francisco. Era a Dra. Rodrigues, a nutricionista que tratava de Tomás. Tinha saído de outro quarto e ouvido parte da conversa.

“Não é só a comida, doutora”, explicou Tiago. “É a forma de oferecer, o ambiente, a pessoa que oferece. Tudo importa quando o problema não está no estômago, mas no coração.”

“Pseudociência”, murmurou a Dra. Rodrigues, mas havia curiosidade nos seus olhos.

“Dê-me 5 minutos”, pediu Tiago olhando diretamente para Francisco. “Se não resultar, vou embora e nunca mais volto. Mas se resultar, o seu filho vai comer.”

Francisco olhou para Tomás. O menino ainda observava Tiago com uma intensidade pouco comum. Nos últimos dias, Tomás tinha-se tornado uma sombra, apático, distante. Ver qualquer reação já era um pequeno milagre.

“3 minutos”, concedeu Francisco com voz dura. “E eu fico aqui o tempo todo. Qualquer coisa estranha e sais.”

“Sim, senhor.”

Tiago entrou no quarto atrás da cadeira de Tomás. Francisco e a Dra. Rodrigues seguiram-no. A enfermeira Cátia trouxe a bandeja com o puré que tinha sido preparado para o almoço de Tomás, o mesmo que ele recusava há três dias seguidos.

“Posso?”, perguntou Tiago apontando para a cadeira junto à cama.

Francisco assentiu, tenso. Tiago puxou a cadeira e sentou-se ficando à altura dos olhos de Tomás. Não pegou logo na colher. Em vez disso, começou a falar.

“Sabes? Eu também não conseguia comer”, disse Tiago com um tom de voz diferente, mais leve, quase musical. “Foi quando a minha mãe adoeceu. Doía-me a barriga cada vez que tentava. Tu também sentes isso?”

Tomás não respondeu, mas seus olhos abriram-se ligeiramente. “O meu avô ensinou-me um truque”, continuou Tiago pegando na colher lentamente. “Dizia que tínhamos que enganar a tristeza, fazer com que ela se esqueça de apertar a garganta só por um minutinho.”

Tiago mergulhou a colher no puré, mas não a levou logo à boca de Tomás. Em vez disso, começou a fazer um som rítmico com a língua, um toque suave e repetitivo. Depois moveu a colher em pequenos círculos no ar. “Olha”, disse Tiago sorrindo. “A comida está a dançar. Está feliz porque quer conhecer-te melhor.”

Francisco estava prestes a interromper, a dizer que era ridículo, quando viu Tomás inclinar a cabeça, seguindo o movimento da colher com os olhos. Tiago aproximou a colher, ainda fazendo os sons rítmicos. Não forçou, não tentou empurrar, simplesmente deixou que a colher dançasse perto dos lábios de Tomás.

“Agora está envergonhada”, sussurrou Tiago num tom de cumplicidade. “Acho que quer que a convidemos.”

E então, para o absoluto espanto de todos no quarto, Tomás abriu a boca. Tiago deslizou a colher suavemente, sem pressa. Tomás fechou os lábios à volta dela, engoliu.

Francisco sentiu as pernas fraquejarem. Teve que se agarrar à borda da cama. “Muito bem”, celebrou Tiago em voz baixa. “Agora a comida está super feliz. Quer trazer as amigas também.”

Mergulhou a colher outra vez. Repetiu o ritual. Tomás abriu a boca de novo. Mais uma colherada, depois outra. Três colheradas em menos de 2 minutos, mais do que Tomás tinha comido nos últimos cinco dias combinados.

A Dra. Rodrigues tinha a mão sobre a boca. A enfermeira Cátia enxugava lágrimas discretamente. Francisco não conseguia processar o que estava a ver. “Como…?”, começou com a voz embargada.

“Senhor Mendes”, interrompeu a Dra. Rodrigues, recuperando rapidamente o tom profissional. “Precisamos falar agora.” Saiu do quarto praticamente arrastando Francisco consigo para o corredor, longe o suficiente para Tiago não ouvir, mas perto para manter Tomás à vista, virou-se para ele.

“O que aquele rapaz está a fazer nãoE enquanto o sol se punha sobre Lisboa, Francisco abraçou o filho que agora comia com alegria, olhou para Tiago com gratidão e compreendeu que às vezes os maiores milagres vêm dos lugares mais inesperados.

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