O restaurante caiu em silêncio quando três valentões rasgaram o uniforme da garçonete, rindo como monstros numa jaula que julgavam ser sua. Mas o que nenhum deles sabia, o que cada testemunha trêmula estava prestes a aprender, era que o marido dela não era qualquer um. Ele era João Silva, o homem outrora temido como o Leão da Mouraria. E no instante em que o sino da porta tilintou, o riso deles se apagou.
A cafeteira se espatifou no chão de azulejos quando o restaurante mergulhou num silêncio sepulcral. Ana Silva permaneceu imóvel perto do balcão sete, segurando o tecido rasgado do seu uniforme azul-claro contra o peito, o ar frio mordendo sua pele exposta. O riso dos três estranhos ecoou pelo restaurante, alto, cruel e impiedoso.
Os clientes estavam paralisados nos seus lugares de couro vermelho com os garfos suspensos no ar, mas ninguém esperava o que aconteceria a seguir, porque aquela garçonete gentil tinha uma proteção que nenhum deles poderia imaginar. E nos próximos 10 minutos, esses mesmos homens que zombaram dela entenderiam o verdadeiro significado do medo. O sol do outono se punha sobre a estrada nacional 114 quando Ana começou seu turno da noite no Tasquinha do Zé. Aos 31 anos, ela se movia com uma graça tranquila que fazia as pessoas se sentirem seguras.
Seu uniforme sempre passado, o cabelo castanho escuro preso com precisão e seu sorriso genuíno. Os clientes habituais sabiam que seu café estava sempre quente, sua presença sempre reconfortante. O casal de idosos na mesa três sorriu quando ela encheu suas chávenas sem que precisassem pedir. O camionista no canto acenou em agradecimento. Para todos ali, ela era simplesmente a Ana, a garçonete que lembrava o seu pedido e nunca levantava a voz. Porém, por trás daqueles olhos cor de mel vivia uma história que ninguém naquela pequena vila conhecia.
Enquanto limpava o balcão, o sino da porta tilintou. Entraram três homens com jaquetas de couro, um jeito arrogante, vozes altas demais para o ambiente. O da frente, de ombros largos e cabelo escuro penteado para trás, examinou o restaurante como se fosse dono do lugar. Atrás dele, seus dois amigos, um alto e desengonçado, o outro robusto com uma tatuagem desbotada subindo pelo pescoço. Riam sem motivo, o tipo de risada que marca território.
“Ei, gata”, gritou o líder estalando os dedos para Ana. “Estamos morrendo de fome. Vai nos atender ou não?” Ana pegou três menus com a expressão inalterada. “Claro, por aqui, senhores.” A forma como disse “senhores” era suave, educada, profissional. Fez o robusto rir disfarçadamente. Não sentaram onde ela os levou. Em vez disso, tomaram a mesa central, se espalhando, tornando-se impossíveis de ignorar. Outros clientes se remexiam desconfortáveis, baixando o olhar, as conversas silenciando. O velho Zé, o cozinheiro, observava pela janela da cozinha, suas mãos calejadas parando sobre a chapa.
Ana deixou os menus. “Trago café para começarem.” O líder recostou-se com os braços abertos sobre a mesa. “Depende. Você é boa servindo?” Os amigos dele caíram na gargalhada. Alguns clientes olharam incomodados. A voz de Ana permaneceu calma. “Vou trazer o café.” Nos vinte minutos seguintes, o comportamento deles escalou. Zombaram do casaco surrado do camionista. Fizeram piadas grosseiras sobre o aparelho auditivo da idosa. Devolveram os hambúrgueres duas vezes. Primeiro alegando que estavam frios, depois que estavam quentes demais.
Cada vez, Ana voltou à cozinha sem reclamar, refez os pedidos, trouxe de volta com o mesmo sorriso gentil. “Ou é estúpida ou é santa”, murmurou o desengonçado alto o suficiente para metade do restaurante ouvir. O líder sorriu. “Vamos descobrir qual.” Quando Ana trouxe a conta, colocando-a suavemente sobre a mesa, a mão do líder disparou e agarrou seu pulso. Seu aperto era firme, os dedos afundando em sua pele. “Sabe de uma coisa?”, disse com voz melosa de falsa sinceridade. “Não acho que o serviço foi bom o suficiente pra gorjeta.” Seu aperto apertou. “Talvez você devesse se esforçar mais pra nos agradar.”
Ana recuou levemente, a voz ainda firme. “Senhor, por favor, me solte.” Ele não o fez. Em vez disso, puxou-a para frente e sua outra mão agarrou o colarinho do uniforme. O tecido rasgou limpo pela costura frontal, os botões se espalhando pelo chão xadrez como moedas caídas. O restaurante ficou em silêncio. A idosa suspirou. A cadeira do camionista rangiu quando ele começou a se levantar. Zé deixou cair uma espátula na cozinha.
Ana ficou parada, uma mão segurando o uniforme rasgado no peito, a outra ainda segurando a cafeteira vazia. Sua respiração era superficial, seu rosto corado. O líder sorriu, orgulhoso do caos que criara enquanto seus amigos explodiam em gargalhadas que ecoavam pelas paredes. Os clientes observavam com horror aturdido, paralisados entre intervir e a autopreservação. Mas Ana não gritou, não chorou, apenas ficou ali olhando para o homem com uma calma que não combinava com o momento, uma calma que vinha de um lugar mais profundo que o medo, porque ela sabia algo que eles não sabiam.
O sino da porta tilintou, todas as cabeças se viraram e João Silva entrou, alto, de cabelo escuro, vestindo um simples casaco preto sobre uma camisa cinza. Seu rosto estava tranquilo, seus movimentos sem pressa. Parou a três passos da porta, seus olhos escaneando a sala, abarcando os botões espalhados, o uniforme rasgado, o rosto de sua esposa. Os olhos do camionista arregalaram-se. Ele se sentou lentamente novamente, com as mãos planas sobre a mesa.
O idoso sussurrou algo para a esposa, que imediatamente desviou o olhar. Zé desapareceu da janela da cozinha. Os três homens na mesa não perceberam. Ainda riam. João avançou, cada passo deliberado, puxou uma cadeira no balcão. Sentou-se lentamente, sem tirar os olhos dos homens na mesa central. Então falou, sua voz baixa, mas ecoando pelo silêncio como um sino de igreja. “Ana, vem aqui.”
Se ver isso já está te deixando com sangue nos olhos, inscreva-se agora, porque se não o fizer, você vai esquecer essa raiva no momento em que o vídeo acabar. E é exatamente assim que os vilões vencem. Ana moveu-se em direção a João lentamente, sua mão ainda segurando o tecido rasgado do uniforme. O restaurante permaneceu congelado, cada cliente segurando a respiração enquanto observavam o homem tranquilo no balcão que acabara de dominar a sala com duas palavras.
O líder dos três homens finalmente olhou para cima, seu sorriso desaparecendo ao notar a mudança na atmosfera. “Quem diabos você pensa que é?” João não respondeu. Apenas olhou para Ana, seus olhos escuros escaneando seu rosto, o uniforme rasgado, a forma como suas mãos tremiam levemente apesar da expressão calma. Algo reluziu em seu rosto. Não, raiva, ainda não. Algo mais frio, mais controlado. “Está machucada?” Sua voz era suave, só para ela. Ela balançou a cabeça. “Estou bem.” Mas ambos sabJoão olhou para os três homens com um sorriso que não chegou aos olhos e disse calmamente: “Agora vocês vão aprender o que acontece quando mexem com quem eu amo.”