A secretária fica chocada ao encontrar foto de sua infância no escritório do chefe

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A nova secretária ficou paralisada ao ver sua foto de infância no escritório do seu chefe. O elevador subia rapidamente pelo edifício de vidro que refletia o céu azul de Lisboa. Leonor Santos apertou contra o peito a pasta com o seu currículo enquanto repesava mentalmente todos os conselhos que a mãe lhe dera naquela manhã. Aos seus anos, nunca estivera tão nervosa. Este emprego mudaria tudo. “35º andar. Silva & Associados”, anunciou a voz metálica do elevador.

Leonor respirou fundo, alisou a sua saia preta, a única formal que tinha, e caminhou com determinação até à receção. Os seus saltos altos ecoaram no chão de mármole enquanto observava o luxo discreto do escritório de advocacia mais prestigiado da cidade. “Bom dia, sou a Leonor Santos, a nova secretária do Dr. Silva”, disse com uma segurança que estava longe de sentir. A rececionista, uma mulher de meia-idade com um penteado impecável, olhou-a por cima dos óculos. “Chegou mesmo a tempo. O Dr. Silva detesta atrasos. A Dona Adelaide está à sua espera.”

Leonor seguiu Adelaide, uma mulher mais velha de rosto amável mas olhar astuto. Através de corredores onde advogados com fatos caros discutiam casos milionários em voz baixa. Era um mundo completamente diferente do seu, onde cada mês era uma batalha para pagar os remédios da sua mãe. “O Dr. Silva é muito exigente”, explicou Adelaide enquanto mostrava a Leonor a sua secretária. “Pontualidade perfeita, organização impecável e discrição absoluta. Nunca o interrompa quando está numa chamada importante.”

Leonor anuiu, memorizando cada instrução. “Quando vou conhecê-lo?” “Agora mesmo. Está à sua espera para dar as primeiras instruções.” Adelaide baixou a voz. “Não se assuste se parecer frio. É assim com todos.”

O gabinete do Dr. Ricardo Silva era exatamente o que Leonor esperava – elegante, sóbrio e intimidante. Grandes janelas ofereciam uma vista panorâmica da cidade. Estantes de madeira escura cobriam duas paredes inteiras e uma enorme secretária dominava o espaço. Atrás dela, um homem de 53 anos assinava documentos sem levantar os olhos. O seu cabelo grisalho, perfeitamente penteado, e o fato feito sob medida gritavam poder e dinheiro.

Quando finalmente ergueu o olhar, Leonor sentiu um arrepio inexplicável. Tinha olhos cinzentos, penetrantes e curiosamente tristes. “Menina Santos”, disse com voz grave. “Sente-se, por favor.”

Leonor obedeceu, notando que o advogado mal a olhava diretamente. “O seu currículo é modesto, mas as referências da universidade são excelentes. Espero que demonstre a mesma dedicação aqui.” “Não o dececionarei, doutor.”

Enquanto Ricardo explicava as suas responsabilidades, os olhos de Leonor captaram algo sobre a secretária que lhe roubou o fôlego. Num elegante porta-retratos de prata estava uma fotografia desbotada pelo tempo – uma menina de uns 4 anos com vestido branco segurando um girassol. Era ela.

O mundo pareceu parar. O mesmo vestido branco de renda que a mãe guardava numa caixa. O mesmo girassol que colhera naquele dia no parque. A mesma fotografia que a mãe guardava como tesouro, idêntica. Até a pequena mancha no canto.

“Você está a ouvir, menina Santos?” A voz de Ricardo trouxe-a bruscamente de volta à realidade. Leonor sentiu as pernas a tremer. “Desculpe, é que…” balbuciou, incapaz de desviar os olhos da fotografia.

Ricardo seguiu o seu olhar e, ao perceber o que via, o seu rosto endureceu. Uma sombra de dor cruzou os seus olhos. “Sente-se bem? Está pálida.” Leonor apontou para a fotografia com dedos trémulos. “Essa foto… posso perguntar quem é?”

O Dr. Silva ficou em silêncio por um momento. Quando falou, a voz soava diferente, quase quebrada. “É uma fotografia pessoal. Não tem importância.” Mas tinha, e ambos pareciam saber. “Pode retirar-se. A Adelaide explicará o resto das suas funções.”

Leonor passou o resto do dia em piloto automático. Adelaide mostrou-lhe o sistema de arquivo, explicou os horários e apresentou os colegas, mas a sua mente permanecia naquela fotografia. Como era possível? O que fazia a sua foto no escritório do homem mais poderoso da firma?

Ao sair do edifício, já anoitecia. Pegou no metro apinhado, depois num autocarro que a deixou a três quarteirões de casa, num bairro modesto nos arredores de Lisboa. Durante todo o caminho, a imagem do porta-retratos de prata não saía da sua mente.

A sua casa era pequena mas acolhedora. Leonor girou a chave com cuidado para não acordar a mãe, caso estivesse a descansar, mas encontrou-a na cozinha a preparar chá. “Como foi, minha filha?”, perguntou Maria, de 51 anos, com um sorriso que iluminava o seu rosto cansado pela doença. “Correu bem, acho”, respondeu Leonor, deixando a mala em cima da mesa. Maria estudou-a atentamente – conhecia cada expressão da filha. “O que aconteceu? Pareces diferente.”

Leonor sentou-se, aceitando a chávena que a mãe lhe oferecia. “O Dr. Silva tem uma foto minha no escritório.” A chávena que Maria segurava caiu ao chão, estilhaçando-se. “O quê?”, sussurrou com o rosto subitamente branco como papel. “A foto do girassol, mãe. A que tens guardada na tua caixa. É exatamente a mesma.”

Maria apoiou-se na mesa como se as pernas já não a sustentassem. Os seus olhos, tão parecidos com os da filha, encheram-se de lágrimas. “Não pode ser”, murmurou. “Não pode ser ele.” “Conheces o Dr. Silva?”, perguntou Leonor, cada vez mais confusa. “Mãe?”

Maria não respondeu. Levantou-se lentamente e foi para o quarto. Leonor seguiu-a, observando enquanto a mãe tirava uma pequena caixa de metal de debaixo da cama. Com mãos trémulas, Maria abriu a caixa com uma pequena chave. Dentro estavam os seus tesouros mais preciosos – cartas amareladas, uma mecha de cabelo infantil, um anel simples de prata… e a fotografia, exatamente igual à que estava no escritório de Ricardo Silva.

Maria pegou na foto com dedos trémulos e olhou-a como se contivesse todos os segredos do universo. “Há algo que nunca te contei sobre o teu pai, Leonor”, disse finalmente com voz quebrada por 26 anos de silêncio. “É hora de saberes a verdade.”

A noite caía sobre Lisboa e, numa pequena casa nos arredores, um segredo guardado durante décadas estava prestes a vir à luz, mudando para sempre a vida de todos os envolvidos. Leonor sentou-se na cama, observando a mãe que segurava a fotografia com mãos trémulas. Nunca a vira assim – tão frágil e assustada.

“O meu pai…”, Leonor mal conseguia pronunciar a palavra. “Sempre me disseste que morreu antes de eu nascer.”

Maria abanou a cabeça. Os seus olhos estavam cheios de lágrimas contidas durante 26 anos. “Era mais fácil dizer isso do que explicar a verdade. O teu pai não morreu, Leonor. O teu pai… é o Ricardo Silva.”

O silêncio que se seguiu foi tão denso que parecia ter vida própria. Leonor levantou-se de repente, como se a cama a queimasse. “O Dr. Silva? O meu patrão? Não pode ser!”, exclamou com incredulidade. “Como é possível? Por que nunca me disseste?”

“Porque o Ricardo Silva tirou-me tudo, exceto a ti”, respondeu Maria com uma amargura que LeonorE no final, enquanto o sol se punha sobre a bela Sintra, Leonor finalmente compreendeu que o amor da sua mãe e a verdade sobre o seu passado lhe tinham dado as forças para construir um futuro onde ela própria poderia ser feliz, sem o peso dos segredos que durante tanto tempo dividiram a sua família.

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