A Capitã à Beira do LagoA tranquilidade da noite foi quebrada por um grito que veio da escuridão do parque.

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A Capitã da PSP, Sara Alves, ia a caminho de casa num táxi. O motorista não fazia ideia de que a mulher sentada no seu veículo não era uma passageira qualquer, mas uma oficial superior da polícia da cidade.

Sara vestia um simples vestido vermelho e parecia uma civil comum.

Estava de folga, a caminho de casa para assistir ao casamento do irmão. Sara decidira que iria comparecer não como capitã, mas simplesmente como irmã. A meio do caminho, o motorista comentou:

—Minha senhora, vou por este caminho para si. Senão, quase nunca uso esta estrada.

A Capitã Sara Alves perguntou ao taxista:

—Mas porquê, meu amigo? O que tem de mal esta estrada?

O taxista respondeu:

—Minha senhora, há agentes da PSP estacionados nesta rua. O sargento desta zona passa multas sem motivo e extorque os taxistas mesmo quando não cometeram nenhum crime.

E se alguém desobedecer ao sargento, leva uma sova. Não sei o que me espera hoje. Deus me livre de cruzar-me agora com esse sargento, senão ele vai sacar-me dinheiro quando eu não fiz absolutamente nada.

A Capitã Sara pensou: “Será que é verdade o que este taxista está a dizer? O sargento desta esquadra faz mesmo coisas tão terríveis?”

Depois de percorrer uma curta distância, avistou o Sargento Tomás Dias parado à beira da estrada com os seus colegas, a revistar veículos. Mal o táxi se aproximou, o Sargento Tomás fez sinal para parar.

Então o Sargento Tomás disse, zangado:

—Então, taxista, saia do carro. Acha que é dono da estrada, a conduzir a essa velocidade? Não tem medo da lei? E pague já uma multa de 500 euros.

Dito isto, o sargento pegou no seu livro de multas. O motorista, Miguel, alarmou-se e disse:

—Chefe, eu não fiz nada de errado. Porque é que me vai multar? Por favor, não faça isso. Não fiz nada e de momento não tenho dinheiro. Onde é que eu vou arranjar 500 euros?

Ao ouvir isto, o Sargento Tomás ficou ainda mais furioso. Ergueu a voz.

—Não discuta comigo. Se não tem euros, então conduz o táxi de graça? Despache-se, tire já a carteira e a documentação do carro. Isto é roubado?

O condutor tirou rapidamente todos os documentos e mostrou-os. Estava tudo em perfeita ordem. Mas o Sargento Tomás insistiu:

—A papelada está em ordem, mas mesmo assim tem de pagar a multa. Dê-me 500 euros agora, ou pelo menos 300, senão vou apreender o taxi.

Perto dali, a Capitã Sara Alves observava e ouvia com atenção. Viu o Sargento Tomás Dias a importunar um taxista pobre e trabalhador sem qualquer razão, tentando extorqui-lo.

Apesar de zangada, manteve a calma para perceber primeiro toda a verdade e só depois agir no momento oportuno.

O taxista disse ao Sargento Tomás:

—Senhor agente, onde é que eu vou arranjar tanto dinheiro? Só ganhei 50 euros hoje. Como posso dar-lhe 300? Por favor, deixe-me ir, senhor. Deixe-me passar. Tenho filhos pequenos. Sou pobre. Trabalho o dia todo para alimentar a minha família. Por favor, tenha piedade de mim, senhor.

Mas o Sargento Tomás não mostrou qualquer misericórdia. Explodiu de raiva. Agarrou o condutor pelo pescoço, empurrou-o com força e gritou:

—Se não tem euros, porque é que está a conduzir um táxi? Isto é uma rua do seu pai, para ter de andar tão depressa? Além disso, está a discutir comigo. Venha, vou entretê-lo na esquadra.

Ao ouvir isto, a Capitã Sara não se conseguiu conter. Imediatamente avançou, colocou-se à frente do sargento e disse:

—Sargento, está a fazer algo completamente errado. Se o motorista não fez nada de errado, porque é que o está a multar? Além disso, agrediu-o fisicamente. Isto é uma violação da lei e dos direitos civis. Não tem o direito de oprimir um cidadão comum assim. Deixe-o ir.

O Sargento Tomás Dias já estava furioso. Ao ouvir as palavras de Sara, enraiveceu-se ainda mais. Disse, com tom de gozo:

—Ah, então agora é você que me vai dar lições sobre a lei. Tem muita lata. Parece que também vai ter de provar a cela. Isso. Os dois vão juntos para a prisão. Lá pode falar à vontade.

O rosto de Sara ficou vermelho de raiva, mas ela controlou-se. Queria ver até onde este sargento iria. O Sargento Tomás não fazia ideia de que a mulher vestida de forma comum à sua frente não era uma mulher qualquer, mas a capitã da polícia da cidade, Sara Alves. Tomás Dias ordenou aos seus colegas:

—Venham, levem-nos para a esquadra. Vamos ver o que valem lá.

Imediatamente, dois agentes avançaram e prenderam o motorista e a Capitã Sara. Ao chegar à esquadra, o Sargento Tomás declarou:

—Ponham-nos ali. Agora, vamos ver o que estes dois têm para dizer. Temos de lhes mostrar onde é que o calo aperta.

Os agentes forçaram-nos a sentar num banco. Mal Tomás Dias se sentou, recebeu uma chamada no telemóvel. Atendeu e disse:

—Sim, o seu assunto vai ser tratado. Nesse caso, o seu nome não aparecerá. É só ter o meu pagamento pronto. Não se preocupe. Trato de tudo.

A Capitã Sara Alves e o taxista sentaram-se a ouvir tudo isto. Sara pensou: “Este sargento não se limita a importunar pessoas na rua. Também aceita subornos de dentro do departamento para fazer trabalhos.”

Está a enganar pessoas comuns. Sara suprimiu a sua raiva. Sabia que ficar zangada naquele momento não traria nenhum bem. A verdadeira batalha tinha de ser travada com provas e o procedimento adequado para que todo o departamento de polícia e a cidade pudessem ver.

Ela pensava em como o expor à frente de todos. Sentado ao seu lado, o taxista, Miguel, estava preocupado. Pensava na sua casa e nos seus filhos. Sara olhou para ele e disse calmamente:

—Não tenha medo. Este sargento não lhe pode fazer nada. Estou consigo. Vi tudo e vou revelar. Não se preocupe, a culpa não é sua. Está seguro. Eu não sou uma mulher comum.

Sou a Capitã da PSP Sara Alves. Estou a expor toda a corrupção deste sargento. É por isso que estou a observar tudo em silêncio agora. Mais tarde, vou esclarecer tudo e mostrar a todos como ele é realmente.

Ao ouvir isto, o taxista sentiu um certo alívio. Respirou fundo e disse:

—É mesmo uma capitã, minha senhora? Mas quando isto tudo me aconteceu, porque é que não disse nada? Porque é que não me salvou? Não estará metida nisto, pois não? Ou tem algo a ver com eles?

O condutor ficou um pouco agitado. Sara acalmou-o.

—Não, não tenho nada a ver com eles. Estou apenas aqui, calada, para expor este sargento. Estou só a observar para ver quantas coisas ilegais este homem ainda faz. É por isso que me estou a calar agora. Se quisesse, podia fazê-lo prender já. Espere só um pouco e vai ver o que lhe faço.

Passado um bocado, o Sargento Dias entrou no seu gabinete. Depois chamou um agente e disse:

—Traga-me aquele taxista.

O agente saiu imediatamente e disse ao motorista:

—O chefe está a chamá-lo para o chatear.

Ao ouvir isto, o condutor ficou assustado. Mas Sara encorajou-o e disse:

—Não se preocupe. Aconteça o que acontecer, eu trato disso.

Ele aproximou-se do sargento. Ao ver o condutorA Capitã Sara pegou no seu distintivo, mostrou-o com autoridade e disse com um sorriso irónico: “Sargento Dias, está detido por corrupção e extorsão; a sua carreira de abusos acaba hoje.”

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