Três Meninas Correm pelo Largo e Abraçam um Desconhecido

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As três pequenas meninas correram antes que os pais conseguissem detê-las.
Os sapatinhos batucavam contra os calçamentos molhados.
Vestidos azul-pálido dançavam no ar frio da tarde.
Os turistas se viraram.
As xícaras de café pararam a meio caminho de seus lábios.
Do outro lado da praça, uma senhora idosa estava sozinha nos degraus de pedra, vestindo roupas rasgadas em tons de terra; seus cabelos grisalhos bagunçados, e o olhar voltado para o chão, como se tivesse desistido de esperar que alguém a visse.
Ela não percebeu as crianças até que elas colidissem em seus braços.
Uma subiu diretamente em seu colo.
Outra a envolveu com os bracinhos.
A terceira enterrou o rosto no casaco gasto da mulher, como se finalmente tivesse encontrado o lar.
A idosa congelou.
Suas mãos pairavam no ar, trêmulas, receosas de tocá-las.
Então uma das meninas acariciou sua bochecha.
O rosto da mulher se iluminou.
Atrás delas, a mãe parou bruscamente, ofegante.
“Oh meu Deus.”
O pai chegou ao seu lado, sem fôlego, confuso, com as mãos semi-erguidas.
“O que está acontecendo?”
As meninas apenas abraçaram a velha com mais força.
Uma sussurrou algo em seu ouvido.
A mulher fechou os olhos, como se aquelas palavras tivessem aberto uma ferida antiga.
A mãe deu um passo à frente, a voz quase inaudível.
“Como elas te conhecem?”
A idosa olhou lentamente, lágrimas escorrendo por seu rosto enrugado.
E então sussurrou,
“Elas têm os olhos da minha filha.”

O rosto da mãe esmoreceu.

Por um instante, ela ficou paralisada.

O pai olhou da mulher idosa para as três meninas, depois voltou a olhar, tentando entender por que suas filhas se agarravam a uma estranha como se a conhecessem a vida toda.

A idosa acariciou o cabelo de uma das crianças com dedos trêmulos.
“Minha Helena tinha olhos assim,” murmuro. “Todas as três.”

A mão da mãe voou à boca.
“Helena era minha mãe.”

A velha parou de respirar.
Seus braços se apertaram ao redor das crianças.
“Não…”

Os olhos da mãe se encheram instantaneamente.
“Meu pai me disse que você morreu antes de eu nascer.”

A idosa emitiu um som tão pequeno que mal sobreviveu ao ar.
“Ele me contou que Helena faleceu ao dar à luz.”

O pai recuou.
A praça parecia silenciar ao redor deles.
A mãe balançou a cabeça entre lágrimas.
“Minha mãe viveu. Ela me criou sozinha. Costumava me trazer a esta praça todo ano e chorava perto desses degraus.”

A idosa olhou para as pedras sob ela.
“Eu esperei aqui todos os domingos,” sussurrou. “Durante trinta e um anos.”

Uma das meninas tocou o colar da velha, um pequeno coração de prata quebrado pendurado sob seu casaco.

A mãe congelou.
Então, lentamente, retirou o mesmo pingente meio coração de seu próprio pescoço.
As duas peças se encaixavam.

A idosa começou a chorar.
Não de forma alta.
Como alguém cujo corpo esqueceu como suportar a dor.
“Meu bebê voltou,” murmurou.

A mãe se ajoelhou diante dela.
“Não,” gritou. “Ela nos enviou.”

A mulher idosa olhou para as três meninas em seus braços.
As crianças se aproximaram mais, destemidas, como se alguma parte de sangue tivesse reconhecido o sangue antes que os adultos pudessem.

A voz do pai tremia.
“Quem mentiu para vocês duas?”

A mãe olhou para a rua atrás delas.
Seu rosto se alterou.
Pois na borda da praça estava um homem mais velho com um casaco escuro.
Seu pai.
Observando-os.
Pálido.
Silencioso.

A idosa o avistou e parou de chorar.
Sua voz se tornou um sussurro cheio de trinta e uma anos roubados.
“Ele me disse que minha filha estava morta.”

A mãe se virou, as lágrimas caindo agora.
“E ele me disse que você nunca quis nos ter.”

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