O Segredo Assustador por Trás da Parede do QuartoAo afastar o móvel, o pai descobriu um antigo túnel secreto que levava diretamente para a casa do vizinho, que estava observando a criança há meses.

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Um bebé pressionava o rosto contra a parede a cada hora, sempre no mesmo sítio. O seu pai pensava que era apenas uma fase. Mas quando a criança finalmente falou, proferiu três palavras que esclareceram tudo. E a verdade era absolutamente aterradora.

Numa manhã, Tomás, um menino de um ano de idade, dirigiu-se ao canto do seu quarto e pressionou o rosto, plano, contra a parede. Permaneceu ali, completamente imóvel, sem se mexer, sem emitir o mais ínfimo som. O seu pai, Diogo, afastou-o suavemente. Mas uma hora depois, Tomás fez o mesmo, uma e outra vez.

No final do dia, isto sucedia a cada hora. Tomás virava-se, caminhava silenciosamente em direção à parede e pressionava o rosto com força contra ela, como se se estivesse a esconder de algo. Nada de risos, nada de brincadeiras, apenas uma quietude total. Às vezes durante um minuto inteiro, outras vezes até alguém o afastar com carinho.

Diogo criava Tomás sozinho desde que a sua esposa falecera durante o parto. Tentou de tudo para compreender aquele comportamento, mas os médicos disseram que não era nada de grave, apenas uma fase. Ainda assim, não parecia uma fase.

Nos dias que se seguiram, Diogo notou algo assustador. Cada vez que Tomás se aproximava da parede, era sempre no mesmo canto exato, no mesmo ponto preciso. Moveu todos os móveis, procurou por bolor, verificou se havia correntes de ar, mas não encontrou nada. Havia algo de errado com aquele canto. Algo frio e perturbador.

Diogo começou a trabalhar no quarto da criança à noite, apenas para observar Tomás a dormir. Mas o comportamento de pressionar o rosto contra a parede nunca ocorria durante a sesta. Apenas quando estava acordado, apenas quando Diogo não estava a olhar atentamente.

Então, veio o grito horripilante. Eram precisamente 2:14 da manhã. A câmara do bebé irrompeu subitamente com um guincho agudo e horrível. Diogo saltou da cama, com o coração aos pulos.

Quando chegou ao quarto, Tomás estava de volta ao canto, o rosto pressionado firmemente contra a parede, as suas pequenas mãos cerradas em punhos, o corpo inteiro a tremer. Diogo agarrou-o imediatamente, murmurando:

“Estás seguro. Estás seguro.”

Mas Tomás arranhou o peito de Diogo, tentando desesperadamente virar-se para olhar para a parede outra vez. Essa foi a primeira noite em que Diogo chorou por causa disso. Algo estava verdadeiramente errado. Na manhã seguinte, ligou para uma psicóloga infantil.

“Não quero parecer louco,” disse Diogo, “mas acho que o meu bebé está a tentar dizer-me algo.” Algo que não consegue exprimir em palavras… e é aterrador.

A psicóloga, a Dra. Matias, foi visitá-los no dia seguinte. Observou Tomás, brincou com ele, falou-lhe suavemente, e por fim ele caminhou até àquele mesmo canto e pressionou o rosto contra a parede novamente. A Dra. Matias pareceu preocupada.

“Diogo,” perguntou numa voz baixa, “mais alguém entrou nesta casa desde o falecimento da sua esposa?”

“Não,” respondeu ele, “apenas amas, mas nenhuma delas ficou mais de um mês.”

Tomás chorava cada vez que elas entravam no quarto. Todas se demitiram. A Dra. Matias perguntou se podia falar com Tomás sozinha durante alguns minutos, através de um espelho de duas faces no seu consultório. Diogo hesitou, mas finalmente concordou.

No momento em que Diogo saiu do quarto, o bebé não chorou. Simplesmente caminhou até ao canto e voltou o rosto para a parede.

Vários minutos passaram. Então, Tomás começou a fazer pequenos sons. A princípio, ninguém percebeu o que ele estava a dizer, apenas murmúrios quase inaudíveis. A Dra. Matias inclinou-se para a frente na sua cadeira, com a boca entreaberta de espanto. Quando Diogo regressou, ela estava extremamente pálida.

“Ele disse palavras de verdade,” disse numa voz baixa.

Diogo ficou confuso.

“Ele mal fala.”

“Eu sei,” respondeu ela. “Mas tenho absoluta certeza de que ele disse: ‘Não quero que ela volte’.”

Diogo parou completamente.

“O que é que ele disse?”

“Foi exatamente o que ouvi. ‘Não quero que ela volte’.”

O quarto permaneceu mergulhado num silêncio total. Tomás estava sentado no chão, ainda a olhar para a parede. Diogo encarou o seu filho, sentindo um nó apertar-se no seu peito. Ajoelhou-se ao lado dele, com as mãos a tremer.

“Tomás,” murmurou com uma voz mal firme. “Quem? Quem é que não queres que volte?”

O silêncio prolongou-se interminavelmente. A criança virou-se tão devagar que o tempo pareceu parar. Os seus grandes olhos azuis, aterrorizados e estranhamente sérios, fitaram diretamente os do pai. As lágrimas começaram a brilhar neles. Diogo prendeu a respiração. O quarto pareceu ficar mais frio.

Depois, numa voz tão suave que quase soava como um sopro fantasmagórico, Tomás proferiu três palavras que assombrariam Diogo para sempre.

— A Senhora da Parede.

Cada palavra caiu como gelo na alma de Diogo. O mundo virou-se de pernas para o ar. O seu coração não parou apenas — partiu-se. O ar pareceu abandonar a sala. O tempo fracturou-se. E naquele momento, Diogo soube com certeza que os seus piores pesadelos tinham sido reais desde o início.

Diogo sentiu como se todo o ar tivesse sido sugado do quarto. O seu bebé, mal capaz de juntar duas palavras, acabara de sussurrar algo que nenhuma criança tão pequena devia saber. A Senhora da Parede. As palavras ecoaram na sua cabeça como um alarme.

A Dra. Matias estava profundamente perturbada.

“Pode ser um sinal de um trauma que ele sofreu,” disse ela. “Mencionou que houve uma sucessão de amas.”

“Sim,” respondeu Diogo lentamente. “Todas se demitiram. O Tomás chorava quando elas entravam no quarto, especialmente com uma delas. Amélia… mal me lembro dela. Esteve apenas uma semana. O Tomás já não dormia, mal comia.”

A Dra. Matias franziu a testa.

— Tem alguma gravação de vídeo dessa época?

O sangue de Diogo gelou. A câmara do bebé, claro. Com dedos trémulos, revirou as antigas gravações guardadas online. Ficheiro após ficheiro, estavam apagados. Restava apenas uma gravação, de há oito meses. O seu cursor pairou sobre ela. Ele queria mesmo ver aquilo? Carregou em play.

O ecrã ganhou vida num preto e branco granulado. Uma mulher alta, vestida com um sweater preto, entrou no quarto. Movia-se como um predador, demasiado calma, anormalmente calma. Tomás brincava no chão com os seus blocos coloridos. A mulher aproximou-se. E então tudo mudou. No exato segundo em que ela se aproximou, Tomás congelou como uma presa. Todos os músculos do seu pequeno corpo enrijeceram-se.

Depois, num movimento ditado pelo pânico, rastejou até ao canto e esmagou o rosto contra a parede, como que para se esconder, para se proteger. A mulher ficou ali parada, a observar, à espera. E a alma de Diogo partiu-se. Ela sorriu. Não um sorriso humano. Um sorriso pertencente aos pesadelos.

Mas o que se seguiu foi ainda pior. Amélia aproximou-se do canto onde Tomás se escondia. Inclinou-se e sussurrou algo diretamente para a parede contra a qual o seu filMas quando Amélia foi finalmente levada pela polícia, descobriram que a sua verdadeira obsessão não era com o Tomás, mas com o próprio Diogo, a quem ela havia observado em segredo durante anos, desejando usurpar o lugar da falecida esposa naquela família.

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