Um Rico Chegou de Surpresa e Se Apaixonou pelo que Viu na Babá

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O milionário chegou sem avisar à sua mansão e se apaixonou ao ver o que a babá ensinava aos seus trigêmeos. Bernardo Castelo Branco ficou paralisado no limiar da porta. Suas mãos ainda seguravam a mala de viagem. Sua gravata estava desalinhada depois de 18 horas de voo desde Xangai. Ele tinha voltado três dias antes porque as negociações terminaram rápido, porque algo em seu peito lhe dizia que precisava estar em casa. Agora ele entendia por quê.

No chão do quarto, sua nova babá estava ajoelhada sobre o tapete azul. Seu uniforme preto com avental branco contrastava com o piso elegante. Mas não foi isso que lhe tirou o ar dos pulmões. Foram seus filhos. Duarte, Tomás e Afonso estavam ajoelhados ao lado dela, suas pequenas mãos entrelaçadas diante do peito, os olhos fechados com uma paz que Bernardo nunca tinha visto em seus rostos. *”Obrigado por este dia.”*

A voz da babá era suave, melodiosa. *”Obrigado pela comida que nos alimenta e pelo teto que nos protege.”* *”Obrigado pela comida”*, repetiram as três crianças em uníssono. Bernardo sentiu suas pernas pararem de responder. *”Agora digam a Deus o que os fez felizes hoje.”* Duarte abriu um olho, olhou para os irmãos e fechou novamente.

*”Fiquei feliz quando a Mariana me ensinou a fazer bolinhos.”* Sua voz era tímida, mas clara. *”Eu fiquei feliz por brincar no jardim”*, acrescentou Tomás. Afonso, o mais quieto dos três, demorou mais para falar. *”Eu fiquei feliz porque não tenho mais medo à noite.”* A mala escapou das mãos de Bernardo e caiu no chão.

Mariana abriu os olhos imediatamente. Seu olhar se encontrou com o dele através do quarto. Durante três segundos que pareceram uma eternidade, nenhum dos dois se moveu. As crianças abriram os olhos também. *”Pai!”* gritou Tomás, pulando de pé, mas Bernardo mal conseguia processar suas palavras. Sua visão ficou embaçada.

Algo quente queimava atrás de seus olhos. *”Senhor Castelo Branco.”* Mariana se levantou com elegância, alisando seu avental. *”Não esperávamos o senhor antes de sexta.”* Bernardo engoliu seco. *”Terminei antes.”* Duarte e Afonso correram para ele. Seus bracinhos envolveram suas pernas. Bernardo os abraçou automaticamente, mas seus olhos permaneceram fixos na mulher que transformara seus filhos em apenas quatro semanas.

Quatro semanas.

Sete babás anteriores haviam falhado em 18 meses. Nenhuma conseguira fazer seus filhos dormirem sem gritar. Nenhuma os fizera parar de destruir os brinquedos. Nenhuma os fizera sorrir assim. *”Quer rezar com a gente, pai?”* A voz de Afonso era cheia de esperança. Bernardo não sabia rezar.

Não se lembrava da última vez que falara com Deus. Talvez quando tinha a idade dos filhos, talvez nunca. *”Eu— tenho que—”* Ele gaguejou, apontando vagamente para a porta. *”Guardar minhas coisas.”* A decepção cruzou o rosto de Afonso como uma sombra. *”Deixo vocês para terminarem a oração.”*

Bernardo recuou até o corredor. *”Continuem, por favor.”* Mariana inclinou a cabeça levemente. Não disse nada, mas algo em seus olhos o atravessou como uma faca. Bernardo caminhou pelos corredores de sua mansão com passos que mal sentia. Desceu as escadas segurando no corrimão como um bêbado. Entrou em seu escritório e trancou a porta.

Só então permitiu-se desabar contra a madeira. Seus filhos rezavam. Seus filhos selvagens, furiosos, destroçados, estavam de joelhos com as mãos unidas, falando com Deus sobre bolinhos, jardins e o medo que desaparecia à noite. Afonso dissera que não tinha mais medo.

Quando começara a sentir medo? Quando Bernardo parara de perceber? A imagem das três crianças com os olhos fechados e expressões serenas se gravou em sua mente como ferro em brasa. A forma como confiavam naquela mulher, como ela os ensinara a expressar gratidão, a nomear suas emoções, pedir ajuda a algo maior que eles mesmos—tudo que ele fora incapaz de lhes dar.

Bernardo escorregou pela porta até ficar sentado no chão. Seu terno de 3 mil euros amassou-se contra o assoalho. Seus sapatos italianos esticados à frente dele, sem graça. E pela primeira vez em 3 anos, desde que sua esposa os abandonara sem olhar para trás, Bernardo Castelo Branco chorou. As lágrimas queimavam suas bochechas.

Seu peito sacudia com soluços silenciosos que não conseguia controlar. Cobriu o rosto com as mãos para abafar qualquer som. Não sabia quanto tempo passou assim—dez minutos, meia hora, uma hora. Quando finalmente conseguiu respirar de novo, quando conseguiu enxugar os olhos com a manga da camisa amassada, soube algo com absoluta certeza.

Ele estivera vivendo como um fantasma em sua própria casa, trabalhando até de madrugada, viajando três semanas por mês, evitando os olhos dos filhos porque lembravam tudo que perdera. E uma mulher de Braga, com seu uniforme simples e voz suave, devolvera a eles algo que ele nem sabia que precisavam: fé, esperança, paz.

Bernardo levantou-se com pernas trêmulas. Olhou-se no espelho do escritório. Seus olhos estavam vermelhos, a gravata torta, o cabelo despenteado. Parecia um homem que acabara de acordar de um pesadelo de 3 anos. Pegou o telefone e checou sua agenda. Tinha uma reunião em Nova York na terça, uma conferência em São Paulo na quinta, um jantar com investidores no sábado.

Um por um, começou a cancelar tudo. Sua secretária respondeu à terceira mensagem com um ponto de interrogação. Bernardo digitou uma única linha: *”Emergência familiar. Ficarei em casa indefinidamente.”* Guardou o telefone no bolso e saiu do escritório. A casa estava em silêncio agora. Eram quase 21h.

Subiu as escadas sem fazer barulho. A porta do quarto das crianças estava entreaberta. Uma luz suave escapava pela fresta. Espiou com cuidado. Mariana estava sentada numa poltrona entre as três camas que juntara contra a parede. Tinha um livro aberto no colo, mas não estava lendo. As três crianças dormiam profundamente, suas respirações calmas e sincronizadas.

Ela levantou o olhar e o viu observando. Dessa vez, Bernardo não fugiu.

(Breve continuaria…)

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