O Valente Riu depois de Humilhar Minha Irmã—Minutos Depois, o Ginásio ficou Tomado por Motociclistas

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**Capítulo 1: O Som do Metal no Osso**

Era 14:14 de uma terça-feira. Lembro-me bem da hora porque estava com as mãos enfiadas na graxa do motor de uma Harley vintage quando o telemóvel vibrou no balcão. Não era uma chamada, mas uma mensagem de um número desconhecido. Só uma foto.

O estômago caiu-me até aos pés. Era a Leonor. A minha irmã mais nova. A miúda que eu criei depois dos nossos pais morrerem num acidente na A1, há cinco anos. Na foto, ela estava caída no chão de linóleo do corredor da Escola Secundária de Cascais. Os óculos partidos, a um palmo de distância. Um fio de sangue — vermelho vivo e furioso — escorria da testa até à sobrancelha.

E, ao fundo, desfocado mas inconfundível, um casaco de atleta. Número 12. A afastar-se.

Não limpei as mãos. Não fechei a oficina. Apenas agarrei o capacete.

Leonor tem dezasseis anos. É calada. Lê romances de ficção científica obscuros e pinta aguardas de pássaros. Não magoa ninguém. Não cria drama. É invisível para a maioria daquela escola, e é assim que ela gosta. Mas o Número 12 — o Tiago Mendonça — decidiu que a invisibilidade não bastava. Ele precisava de um alvo.

Mais tarde, soube o que aconteceu. O Tiago estava a exibir-se para a namorada. A Leonor ia a caminho da aula de História. Ele deu-lhe uma cotovelada. De propósito. Não foi acidente. Meteu todo o peso de jogador de rugby numa miúda de mãos cheias. Ela voou de lado. A cabeça bateu contra o respiradouro do armário 304.

O som, disseram, foi como um tiro.

O Tiago riu-se. “Olha para onde você vai, esquisita,” disse.

Montei a minha mota, uma Fat Boy personalizada que parece o apocalipse quando lhe puxo o acelerador. Mas não a liguei ainda. Apertei o botão de emergência da nossa aplicação. Aquele que guardamos para “Código Vermelho”.

A mensagem era simples: LEONOR. SECUNDÁRIA DE CASCAIS. AGRESSÃO NO CORREDOR. AGORA.

Sou vice-presidente dos Lobos de Ferro MC. Não somos um gangue. Somos mecânicos, ex-militares, soldadores e pais. Somos uma família. E a Leonor? É a irmã mais nova do clube. É ela que ajuda a servir o bacalhau nas ceias de Natal para os sem-abrigo. É ela que cosia os remendos nos coletes quando tinha doze anos.

Liguei a mota. O motor rugiu. Mas, ao sair do estacionamento, percebi que não estava sozinho.

Do leste, o ronco profundo da cruiser do Zé “Gigante”. Do oeste, o gemido agudo da sportster do Rui. E, atrás de mim, um trovão que se sente nos dentes antes de se ouvir.

Não planeámos um comboio. Foi instinto.

**Capítulo 2: O Barulho no Ginásio**

A Secundária de Cascais é daquelas fortalezas suburbanas de tijolo e vidro onde a reputação é tudo. O diretor, o Sr. Almeida, preocupa-se mais com a vitória doO Tiago nunca mais olhou para a Leonor, mas nós nunca mais deixámos de olhar por ela, e foi assim que aprendemos que a família não se escolhe — constrói-se, peça a peça, como as melhores motas que saem da nossa oficina.

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