Seis Motociclistas Fugiram com o Bebê da Minha Irmã Falecida

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Seis motociclistas saíram da maternidade com o recém-nascido da minha irmã morta e a enfermeira simplesmente deixou.

Observei nas câmeras de segurança aqueles homens enormes de coletes de couro carregando meu sobrinho pelos corredores do hospital como se ele lhes pertencesse. Como se tivessem todo o direito de levá-lo.

Minha irmã, Mariana, morreu no parto quarenta e sete minutos antes. Hemorragia. Os médicos não conseguiram estancar o sangramento. Ela tinha vinte e três anos e desangrou na mesa de parto enquanto o bebê gritava seus primeiros respiros.

Eu estava na sala de espera quando me disseram que ela se fora. Ainda tentando processar. Ainda sem conseguir respirar. Ainda tentando entender como minha irmã mais nova podia estar morta.

Então a enfermeira-chefe entrou correndo. “Senhora, conhece os homens que levaram o bebê?”

“Que homens? Do que está falando?”

Ela mostrou as imagens de segurança no tablet. Seis motociclistas. Coletes de couro. Barbas longas. Saindo da maternidade com meu sobrinho. O que estava na frente segurava o bebê contra o peito, como algo precioso.

“Chame a polícia!” gritei. “Eles sequestraram ele! Esses homens roubaram o bebê da minha irmã!”

Mas a enfermeira segurou meu braço. “Senhora, espere. Eles tinham documentos. Papéis assinados. Afirmaram que eram os guardiões designados.”

“Isso é impossível! Eu sou a única família da Mariana! Eu deveria ficar com o bebê! Quem são essas pessoas?”

A enfermeira pareceu constrangida. “Disseram que sua irmã combinou isso há seis meses. Tinham um acordo de custódia registrado em cartório. Com a assinatura dela.”

Senti o chão desaparecer sob meus pés. Mariana nunca mencionou motociclistas. Nunca falou de nenhum acordo. Ela me disse que eu criaria o bebê se algo acontecesse. Tínhamos conversado sobre isso dezenas de vezes.

“Isso deve ser um erro,” sussurrei. “Ou uma falsificação. Mariana nunca daria o filho dela a estranhos. A motociclistas.”

A enfermeira me entregou um envelope lacrado. “Deixaram isto para si. Disseram que sua irmã escreveu. Que explicaria tudo.”

Minhas mãos tremiam ao pegar o envelope. A letra de Mariana estava na frente. Meu nome. Catarina. Apenas meu nome naquela caligrafia familiar.

Rasguei-o.

Querida Cata,

Se estás a ler isto, eu já parti. Peço desculpa. Sabia que havia uma chance de não sobreviver ao parto. Os médicos avisaram sobre o problema no meu coração. Não te contei porque não quis que te preocupasses.

Preciso contar algo que devia ter dito há anos. Algo sobre o pai do bebê…

O pai do bebê é Tiago Mendes. Nunca o conheceste. Nunca falei dele porque tinha vergonha. Não dele—mas de como nos conhecemos.

Há três anos, quando estava sem casa e a viver debaixo da ponte na Rua das Flores, o Tiago encontrou-me. Ele era motociclista. Membro dos Cavaleiros da Lealdade MC. Trouxe-me comida. Trouxe-me cobertores. No fim, levou-me ao abrigo que o clube mantém para mulheres sem lar.

Eles salvaram a minha vida, Cata. Quando eu estava no fundo, quando usava drogas e me vendia para sobreviver, os Cavaleiros acolheram-me. Ajudaram-me a limpar-me. Pagaram a minha reabilitação. Ajudaram-me a tirar o 12º ano. Arranjaram-me o meu primeiro emprego de verdade.

Eu e o Tiago apaixonámo-nos durante a minha recuperação. Ele era vinte anos mais velho, mas foi o homem mais bondoso que já conheci. Nunca me julgou. Nunca me fez sentir estragada.

Morreu num acidente de mota há oito meses. Duas semanas depois de eu descobrir que estava grávida.

Minhas mãos tremiam tanto que mal conseguia segurar o papel. Mariana estivera sem casa? Nas drogas? Eu não sabia. Eu morava a três cidades de distância, construindo a minha carreira, mal ligava uma vez por mês.

Continuei a ler.

Os Cavaleiros da Lealdade são a família do Tiago. Os irmãos dele. Cuidaram de mim desde que ele morreu. Pagaram a minha renda. Compraram coisas para o bebê. Vieram a todas as consultas.

Eles sabiam do meu coração. Sabiam que eu podia não sobreviver ao parto. E fizeram-me uma promessa. Se algo me acontecesse, criariam o meu filho. O filho do Tiago. Fariam-no crescer no clube, rodeado de homens que amaram o pai dele.

Cata, sei que estás magoada. Sei que estás confusa. Sei que pensavas que serias tu a criá-lo. Mas tens a tua vida. A tua carreira. O teu apartamento que não permite crianças. Nunca quiseste filhos.

Estes homens querem. Eles desejam-no. Já construíram um quarto de bebê na sede. Já compraram um berço, brinquedos e até um minúsculo colete de couro.

O meu filho vai crescer sabendo que o pai foi um herói. Que faz parte de uma irmandade que protege os mais fracos. Que é amado por sessenta tios que morreriam por ele.

Por favor, não lutes contra isto. Não o tires da única família que o Tiago teve. Eles prometeram amá-lo. Prometeram contar-lhe sobre o pai. Prometeram criá-lo direito.

Chamei-lhe Tiago Jr. Em homenagem ao pai. O homem que salvou a minha vida e me deu o único amor verdadeiro que conheci.

Amo-te, Cata. Peço desculpa por guardar segredos. Peço desculpa por não ter sido honesta. Mas isto é o que eu quero. É o melhor para o meu filho.

Deixa-o ir. Deixa-o ser um Cavaleiro.

Tua irmã para sempre,
Mariana

Li a carta três vezes. A cada leitura, as palavras cortavam mais fundo.

Minha irmã estivera sem casa. Tivera um vício. Prostituíra-se para sobreviver. E eu não sabia. Não estivera lá. Não ajudara.

Um clube de motociclistas fizera o que eu devia ter feito.

Mesmo assim, liguei para a polícia. Disse que motociclistas tinham levado o meu sobrinho. Mas quando os agentes viram os documentos de custódia, disseram que nada podiam fazer.

“Senhora, isto é um documento legal. A sua irmã designou estes homens como guardiões. A menos que queira contestar em tribunal…”

“Quero. Quero contestar. Aquele bebê pertence à família.”

O agente olhou-me. “Senhora, de acordo com esta carta, esses motociclistas são a família do bebê.”

Passei as duas semanas seguintes preparando-me para a batalha judicial. Contratei um advogado. Reuni provas. Tentei mostrar que a minha irmã fora coagida. Que nenhuma mulher em sã consciência daria o filho a um clube de motociclistas.

Então o advogado dos Cavaleiros contactou o meu. Queriam reunir-se. Falar. Mostrar-me algo antes do tribunal.

Contra o conselho do meu advogado, aceitei.

A sede dos Cavaleiros não era o que esperava. Imaginara um bar sujo cheio de criminosos bêbados. Em vez disso, era um edifício limpo com um pátio cercado e equipamento de playground. Uma faixa sobre a porta dizia: “Bem-vindo a casa, Tiago Jr.”

Os seis motociclistas que levaram o meu sobrinho esperavam lá dentro. O que carregara oNo final, percebi que a verdadeira família nem sempre é aquela que nasce conosco, mas sim aquela que escolhe nos proteger e amar, mesmo quando o mundo nos vira as costas.

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