O sangue escorria pela testa de Beatriz Mendes enquanto se arrastava pelo chão de mármore, apertando as costelas com força. O homem que devia amá-la — seu marido, Rodrigo — erguia-se sobre ela, segurando um taco de críquete manchado de sangue.
“És inútil,” cuspiu ele, com os olhos gelados. “A Carolina merece mais do que tu alguma vez poderás dar.” Carolina — a amante —, a mulher que o convencera de que Beatriz o estava a segurar.
Naquela noite, a crueldade de Rodrigo foi longe demais. Beatriz recusara-se a assinar os papéis para transferir a casa para o nome dele, e num acesso de fúria, ele brandiu o taco sem hesitar. Os vizinhos ouviram os gritos, mas ninguém se atreveu a interferir — Rodrigo era influente na vila, e as pessoas temiam-no. Quando tudo acabou, Beatriz jazia inconsciente, o corpo coberto de hematomas, o espírito em pedaços.
Mas Rodrigo cometeu um erro fatal: esqueceu-se de quem Beatriz Mendes realmente era. Esqueceu-se de que os três irmãos dela — Tiago, Afonso e Gonçalo Mendes — não eram apenas irmãos protetores. Eram os CEOs de três das corporações mais poderosas do país.
Quando Tiago recebeu a chamada do hospital, a voz transformou-se em gelo. “Quem fez isto à minha irmã?” perguntou à enfermeira. No instante em que ela sussurrou o nome, ele não disse mais uma palavra.
Em questão de horas, três jatos particulares levantaram voo de Lisboa, Porto e Faro, todos com o mesmo destino: a pacata vila onde Rodrigo acreditava ser intocável.